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SNS faz 47 anos: como a tecnologia transformou a saúde pública

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Criado em 1979, numa altura em que os processos clínicos eram feitos em papel e a informática ainda tinha uma presença muito limitada nos hospitais, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) transformou-se, quase cinco décadas depois, numa das maiores infraestruturas tecnológicas do país. Da informatização básica à cirurgia robótica, eis como a tecnologia foi mudando a forma como Portugal cuida da saúde dos seus cidadãos.

Nos primeiros anos do SNS, a tecnologia servia para gerir informação administrativa: quem eram os utentes, que cuidados recebiam, como funcionavam os hospitais.

Nesse contexto, em 1988, surgiu o Sistema Integrado de Informação Hospitalar (SONHO), criado pelo Instituto de Gestão Informática e Financeira da Saúde (IGIF) e instalado progressivamente nas unidades hospitalares a partir de meados da década de 1990.

Do lado dos cuidados primários, chegou o SINUS, responsável por gerir consultas, vacinação e o cartão de utente nos centros de saúde.

Para ligar tudo isto nasceu a Rede de Informação da Saúde (RIS), criando as primeiras grandes infraestruturas de comunicação entre instituições. Apesar de parecer pouco aos olhos dos dias de hoje, foi assim que a informação de saúde começou a deixar de depender exclusivamente do papel.

Do administrativo para o clínico

O passo seguinte foi levar os computadores para dentro do próprio ato médico. Surgiram o Sistema de Apoio ao Médico (SAM) e o Sistema de Apoio à Prática de Enfermagem (SAPE), pensados para registar consultas, prescrições e cuidados de enfermagem.

Estas ferramentas viriam mais tarde a dar origem ao SClínico, que foi substituindo gradualmente os sistemas mais antigos, à medida que o SNS procurava consolidar os seus sistemas de informação.

Apesar das ferramentas disponíveis, hospitais e centros de saúde funcionaram, durante anos, como verdadeiras ilhas de informação, com sistemas que não comunicavam entre si, um problema identificado em vários planos e relatórios da saúde ao longo da década de 2000.

Por isso, a integração e a partilha de dados tornaram-se um dos grandes desafios da transformação digital da saúde, em Portugal.

Em 2012, a informação começa a viajar com o doente

A grande mudança de paradigma chegou em 2012, com o lançamento oficial da Plataforma de Dados da Saúde (PDS).

Pela primeira vez, um hospital podia consultar informação clínica registada noutra instituição, mesmo que o utente tivesse sido tratado do outro lado do país.

Deixou de ser preciso informatizar cada serviço isoladamente, passando pensar-se numa rede única. Nesta fase, os serviços digitais começaram a chegar diretamente aos cidadãos, e não apenas aos profissionais de saúde.

A receita deixa de ser em papel e o SNS entra no telemóvel

Poucas mudanças tornaram a transformação digital do SNS tão visível como a Receita Sem Papel.

O projeto arrancou em 2013 e começou a ser implementado em 2015, permitindo que a receita passasse a circular eletronicamente entre médico, SNS, farmácia e cidadão.

A mudança tornou-se obrigatória em todo o SNS a 1 de abril de 2016, depois de uma implementação faseada.

Entretanto, em 2017, o SNS deu outro salto com a inauguração do SNS 24, o novo Centro de Contacto do Serviço Nacional de Saúde.

O que começou como uma evolução da antiga Linha Saúde 24 tornou-se, com o tempo, um verdadeiro canal digital de acesso ao sistema de saúde, com informação, marcação de consultas e triagem ao alcance de uma aplicação.

A pandemia de COVID-19 viria a acelerar ainda mais este caminho, impulsionando a telemedicina e as consultas à distância a um ritmo que dificilmente se teria alcançado em circunstâncias normais.

Robôs, ressonâncias e o futuro dos dados

A transformação tecnológica não fica só nos ecrãs. Em 2023, o Governo anunciou um investimento de 117 milhões de euros, financiado pelo PRR, para modernizar o parque tecnológico de 29 instituições do SNS.

O pacote incluiu ressonâncias magnéticas, tomografias computorizadas, angiógrafos, câmaras gama, aceleradores lineares e robots cirúrgicos, reforçando a capacidade tecnológica dos hospitais do SNS.

Para se ter uma ideia da evolução, em 2022 existia apenas um robô cirúrgico no SNS; em 2023, foram instalados mais quatro, dando continuidade à expansão da cirurgia robótica no sistema público.

Olhando para a frente, o SNS trabalha agora no Registo de Saúde Eletrónico Único (RSEu), que promete reforçar a interoperabilidade entre sistemas e criar uma visão verdadeiramente integrada da informação de cada doente, com Inteligência Artificial e análise de dados a serem cada vez mais relevantes.

Se em 1979 um SNS moderno significava garantir acesso universal à saúde, 47 anos depois esse continua a ser o objetivo, mas com a tecnologia a tentar torná-lo mais rápido, mais próximo e mais inteligente.

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  1. Avatar de Rodrigo
    Rodrigo

    Pesquisa disso quando pode ter saúde privada muito melhor? Eu só utilizo a CUF ou os lusíadas e sempre fui muitíssimo bem atendido sem filas sem problemas sempre com o máximo de qualidade e atenção.

    1. Avatar de Gonçalo
      Gonçalo

      Claro até aos 60 anos é muito melhor, mas se tiver o azar de ter um problema grave é no publico que resolvem não é no privado de certeza porque os bons médicos estão no publico, e o privado só quer “trocas de oleo” coisas complicadas vais para o publico

      1. Avatar de Zé Fonseca A.
        Zé Fonseca A.

        Os bons médicos estão no público?
        Essa era a cantiga de antigamente, os bons médicos estão no privado ou foram para o Dubai, o público ficou com os funcionários públicos e com os tarefeiros, alguns tarefeiros até podem ser bons, mas estão lá para ganhar à hora pela tarefa, estao-se a lixar para os pacientes

        1. Avatar de Gonçalo
          Gonçalo

          Ahahah a cantiga de antigamente e claramente a de agora, a malta vai para o publico para receber a groja e tratar de coisas simples, coisas complicadas vais para o publico que é la que estão os bons

          1. Avatar de Zé Fonseca A.
            Zé Fonseca A.

            não sei o que consideras coisas complicadas mas um hospital privado trata tudo desde que tenha esse tratamento disponivel.
            a minha mulher é médica no privado, o meu sogro é médico reformado do publico, toda a nossa familia que necessita de cirurgias faz no privado, tens muito poucas especialidades onde o publico ainda seja melhor, existem mas são casos isolados, cardiologia por exemplo é um desses exemplos, mas são muito poucos e apenas em 1 ou 2 hospitais e não no SNS como um todo o Hospital da Santa Cruz seria o unico que eu escolheria face a um privado, por isso é impossivel de generalizar, depende do que consideras “coisas complicadas” e depende do hospital que vais tratar as coisas complicadas.
            é preciso ter noção que ninguém gosta de trabalhar de borla e um médico que faz exclusivo publico em final de carreira ganha 5900€ brutos, leva para casa liquidos 3700€, alguém que estudou 11 anos e teve 35 anos a trabalhar no publico, no privado ganhas isso assim que terminas a especialidade, qualquer pessoa de IT ganha isso sem sequer ter feito faculdade e apenas com 5 anos de experiencia..
            por isso tiveste e continuas a ter uma debandada de médicos para o dubai, ganham 20k por mês pagam 0 de impostos, ficam lá 5 anos e podem voltar a portugal sem pagar impostos para regressar, os unicos que ficam no SNS são tarefeiros que ganha 4 a 5 vezes o valor hora porque os que estão nos quadros não querem fazer nenhum, por isso mais de 50% dos médicos a fazer urgência são tarefeiros.
            vai lá aprender o que se passa com o SNS e talvez percebas o buraco que aquilo que se tornou

        2. Avatar de Filipe
          Filipe

          Problemas graves que precisem de anos de cuidados, quimioterapias caras, transplantes e tu vais ver o que o seguro privado te diz para fazer…

          1. Avatar de Zé Fonseca A.
            Zé Fonseca A.

            não fiz nada, os seguros têm coberturas explicitas, co-pagamentos e franquias, os seguros não saltam fora porque um tratamento é caro, acontece que em portugal não tens muitos hospitais privados com alguns tratamentos por falta de procura, mas os seguros cobrem até ao limite coberto

    2. Avatar de Zé Fonseca A.
      Zé Fonseca A.

      Isso era há 10 anos atrás, hoje mais de metade da população tem seguro de saúde, só não tem espera quem tem cunhas, igual ao público

      1. Avatar de Grunho
        Grunho

        Só há um pequeno pormenor: os seguros de saúde são só para segurar gente saudável. Quando eles adoecem e começam a dar despesa às companhias elas rescindem e o doente tem mesmo que ir tratar-se ao público, ou então ficar sem tratamento. Os capitalistas não fazem favores a ninguém, mesmo a quem lhes deu fortunas a ganhar.

        1. Avatar de B@rão Vermelho
          B@rão Vermelho

          Nem sempre partilho da tua opinião @Grunho, mas nesta estou plenamente de acordo, tenho um familiar que trabalha no bloco operatório da CUF e se alguma coisa corre mal com o paciente, vai logo para o hospital público, vejam o caso recente da Bonnie Tyler, a cirurgia correu mal no privado foi logo para o público.
          Só não sei é quem é que pago depois a conta.
          Eu não tenho razões de queixa do SNS, faz amanhã 3 semanas da minha última cirurgia ainda em recuperação e só fui novamente operado pelo simples facto de ser doente crónico, em condições normais um paciente “normal” teria de esperar muito mais tempo, acredito que com mais uma cirurgia e fico com este problema resolvido, complicação devido aos tratamentos.

          1. Avatar de Zé Fonseca A.
            Zé Fonseca A.

            provavelmente atingir os limites de cobertura da seguradora e para não contrair divida a familia optou pela deslocação dela para o publico..
            isso não é chapa 5, há mais coisas envolvidas, já tive um familiar com complicações numa cirurgia no privado e que a operação e estadia ficaram acima da cobertura do seguro que ele tinha, a mulher dele tratou com a seguradora para se aumentar as coberturas sem carencia e a seguradora aceitou, de outra forma poderia ter escolhido ficar no privado apenas assinado um termo de responsabilidade de assumir as despesas que ultrapassem os plafonds.
            as pessoas é que também pagam pelos seguros mais basicos ou ficam com o seguro da empresa que é basico porque acham que nunca vão precisar

        2. Avatar de Zé Fonseca A.
          Zé Fonseca A.

          isso é mentira, só fazem isso quando a cobertura do seguro atinge o limite e é para proteção da pessoa, porque de outra forma a pessoa vai contrair divida para com o hospital o que é escusado

          1. Avatar de Grunho
            Grunho

            O seguro contrata-se por anuidades. No fim de cada anuidade a companhia vê se o doente está a dar lucro ou prejuízo. E se estiver a dar prejuízo já não deixa renovar.

          2. Avatar de Zé Fonseca A.
            Zé Fonseca A.

            Isso é mentira.
            Na tua escola comuna não te sabem sequer ensinar como funcionam as seguradoras.. está mau isso, desde o Miguel Portas que não há um único comuna inteligente

      2. Avatar de Filipe
        Filipe

        Problemas graves é tudo no SNS, aliás os privados nem fazem certos tratamentos disponíveis nos IPOs, vem pessoal de Espanha usar o SNS/IPO de Portugal devido aos tratamentos disponíveis.

        1. Avatar de B@rão Vermelho
          B@rão Vermelho

          Eu sempre fui acompanhado no Hospital da Luz, e desde que “entrei” para o Hospital Santa Maria, deixei de ir ao Hospital da Luz, é certo que na sala de espera do Hospital da Luz, uma pessoa lava a vista com tanta beldade a passear nos corredores, já no Santa Maria, ainda há dias estava eu a entrar para um RM e tive de esperar porque havia um preso que tinha acabado de chegar e têm prioridade e estava todo furado parecia uma salsicha antes de ir para a grelha, nunca vi tal coisa no Hospital da Luz.
          Tenho um grande amigo que é todo liberal, e quando a esposa teve cancro da mama também começou os tratamentos no privado, só que depois o plafon do seguro acabou e lá teve de engolir o orgulho e levar a esposa para o público.
          Como eu já aqui referi várias vezes o seguro de saúde é para pessoas saudáveis, caso contrário chamava-se seguro de doença. 🙂 🙂

          1. Avatar de Zé Fonseca A.
            Zé Fonseca A.

            é a vida, eu faria o mesmo, mas enquanto tivesse plafond aproveitava.
            também já tens seguros exclusivos para oncologia que te permitem ter plafonds muito superiores

        2. Avatar de Zé Fonseca A.
          Zé Fonseca A.

          alguns tratamentos não há oferta por falta de procura, não tem a ver com gravidade mas com especificidade

  2. Avatar de Test User
    Test User

    Consultar informação clínica registada noutra instituição, isso é mentira. Nem os médicos família conseguem consultar os dados nos hospitais. Cada hospital é uma ilha.

    Não existe um sistema integrado da informação de cada doente, Nem básico como alergias, dados básicos do doente, exames realizados, etc.

    Inem registam informação e depois transmitir verbalmente no hospital.

    As receitas podem ser electrónicas, agora farmácia não consegue visualizar todas receitas em vigor de um utente. Utente tem de andar com versão em papel ou transmitir qual é código. Se tiver varias, tem de adivinhar qual é qual para determinado medicamento.

    Porque não se pode fazer exames ou tratamentos em qualquer ponto do país. Se dizem que esta tudo informatizado. Cada ARS é uma ilha

    Experimentem mudar para outro ponto do país, historial é como não existisse. Não existe nenhuma integração.

    1. Avatar de Zé Fonseca A.
      Zé Fonseca A.

      Quem diz a verdade…

    2. Avatar de Justiceiro da Verdade
      Justiceiro da Verdade

      Falso Falso e Falso -> Get-ADUser -Filter “Name -eq ‘Teste User’” | Remove-ADUser -Confirm

      1. Avatar de B@rão Vermelho
        B@rão Vermelho

        Ainda há dias passou na TV, são 3 hospitais que estão à parte, Amadora Sintra, Hospital de Cascais e já não me lembro do outro.
        Eu sou acompanhado no Santa Maria e a minha médica de família tem acesso as minhas coisas.

        1. Avatar de Zé Fonseca A.
          Zé Fonseca A.

          vai para o alentejo ou algarve e depois falamos 😀

          1. Avatar de B@rão Vermelho
            B@rão Vermelho

            Não há internet no Alentejo?

          2. Avatar de Zé Fonseca A.
            Zé Fonseca A.

            Há, não há SNS

      2. Avatar de Test User
        Test User

        Justiceiro da Verdade no mínimo procura pela verdade.
        Lidem com sistema, para ver como ele não funciona.

        Bastava ver as noticias :
        Saúde. “Estamos a duplicar exames, em alguns casos com situações dramáticas”, alerta Health Cluster Portugal
        Não há uma “estratégia nacional para os dados em saúde”, diz Joaquim Cunha. Falta “transparência”, as informações não circulam entre hospitais (nem mesmo no SNS) e quem mais perde são os pacientes.

        Caso da grávida que morreu. Amadora-Sintra é uma das quatro unidades do SNS sem sistema informático de partilha de dados

        Sindicatos alertam para falhas de sistemas informáticos que dificultam acesso a dados clínicos

  3. Avatar de Max
    Max

    Melhorou, mas continua uma grande trapalhada o acesso a análises e exames feitos noutras instituições/laboratórios.
    Acreditem que é verdade: um familiar meu estava na maca para entrar na sala de cirurgia e o anestesista quis ver o último ecocardiograma que tinha feito, mas não tinha levado. O cardiologista ainda ofereceu o telemóvel para ele telefonar para casa para ver se havia alguém que pudesse enviar o ecocardiograma, mas não havia – e a operação não se fez.
    Por isso, ou levam sempre uma pasta com as análises e exames, porque nunca se sabe qual é que vai ser preciso, ou guardem no telemóvel o PDF ou fotografia de todas as análises e exames (é certo que há situações em que o hospital o “confisca” para guardar, mas no caso, havia de aparecer com ele).
    Uma recomendação:
    – Guardem os PDF ou fotografias das análises e exames no Google Drive (como pode precisar de internet é melhor guardar também localmente no smarthone noutro sítio)
    – Usem o Gemini – e de preferência o Gemini Notebook notebook e acrescentem-nos às fontes. O Gemini Notebook vai buscar esses dados aos diferentes análises e exames (não diretamente aos PDF e e fotografias mas o OCR dos mesmos) . faz relatórios e explica tudo e mais alguma coisa.
    Continuem a levar os papéis – mas guardem no smartphone os PDF e imagens (e usem o Gemini/Gemini Notebook ou outro parecido).