Operação histórica em Portugal: pela primeira vez, os exames nacionais vão ser digitalizados
Mais de 300.000 provas, 166.000 alunos e 5000 agentes das forças de segurança. A maior operação logística da educação portuguesa arranca amanhã, com o início da época de exames nacionais, e este ano há uma estreia.
A primeira fase dos exames nacionais do ensino secundário começa amanhã, no dia 16 de junho, e com ela chega uma mudança sem precedentes: pela primeira vez, praticamente todas as provas vão ser digitalizadas.
Os alunos continuam a escrever em papel, mas as suas respostas seguirão para um centro de digitalização, nas instalações da Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM), em Mem Martins, onde serão processadas e disponibilizadas numa plataforma digital para correção.
Conforme avançado, a operação prolongar-se-á por cerca de 35 dias e envolverá mais de 300.000 provas, 166.000 alunos, milhares de professores classificadores e mais de 5000 elementos da Polícia de Segurança Pública (PSP) e Guarda Nacional Republicana (GNR).
O objetivo desta operação histórica é garantir o transporte e a segurança de todo o processo.
Como funciona o novo modelo?
Depois de recolhidas nas escolas pelas forças de segurança, as provas seguirão para a INCM, onde serão digitalizadas. A partir daí, os professores classificadores vão aceder às respostas através de uma plataforma informática.
Também de forma inédita, cada docente não vai corrigir um exame completo, mas uma parte específica de vários exames, de forma anónima.
Nas questões de escolha múltipla, por sua vez, a correção é feita automaticamente pelo sistema.

As únicas exceções são Geometria Descritiva e Desenho A, cujas provas, pela natureza gráfica, continuam a ser corrigidas em papel e enviadas por correio expresso para os agrupamentos do Júri Nacional de Exames.
Logística mais complexa do que nunca
Com 1172 agentes credenciados para esta operação, a PSP admitiu que o processo deste ano "apresenta um grau acrescido de complexidade" face às edições anteriores, com um aumento significativo das deslocações ao distrito de Lisboa, motivado pelas múltiplas viagens à INCM.
No presente ano, a operação associada aos exames nacionais apresenta um grau acrescido de complexidade, em resultado das alterações introduzidas no processo.
Indicou a Direção Nacional da PSP, em declarações ao jornal Público.
Por sua vez, a GNR, que no ano passado mobilizou 3863 militares e 2034 viaturas, antecipa um esforço ainda maior em 2026.
Não faltam preocupações sobre esta abordagem para os exames nacionais
Os sindicatos de professores e movimentos como a Missão Escola Pública (MEP) já começaram a levantar várias questões, nomeadamente sobre quem tem acesso físico às provas durante a digitalização; e se a plataforma estará preparada para interpretar correções manuais, como respostas riscadas e substituídas.
[A correção em formato digitalizado] exige uma maior concentração. O professor estar a corrigir os itens no computador vai implicar maior esforço e maior desgaste.
Alertou Cristina Mota, porta-voz do movimento MEP, em declarações à CNN, revelando ter vários colegas a dizerem-lhe que" vão imprimir as respostas para as corrigir primeiro em papel".
De facto, a Federação Nacional de Professores (FENPROF) chegou a reportar problemas nas provas digitais já realizadas noutros níveis de ensino.
Conforme recordado por José Feliciano da Costa, um dos secretários-gerais da FENPROF, a digitalização tem mostrado algumas fragilidades e a realização das provas ensaio em formato digital revelou alguma impreparação do sistema.
Temos relatos de problemas como falta de material e crianças que não conseguiram entrar porque a rede não aguentou ou era muito fraca. Temos até o relato de, numa escola, o diretor ter sido obrigado a ir ao chinês mais próximo comprar extensões, porque não havia tomadas suficientes para os alunos ligarem os computadores.
Entretanto, o Ministério da Educação, pela voz de Fernando Alexandre, apelidou as críticas de "alarmistas", garantindo que o processo está entregue a "entidades com muita experiência".
O futuro é digital, mas a transição causa dores de crescimento
A digitalização dos exames era um passo esperado e pode fazer sentido numa perspetiva de modernização do sistema. De facto, a correção centralizada e anónima pode até reduzir inconsistências entre professores.
Não obstante, uma mudança desta escala, aplicada de forma massiva logo na primeira edição, sem um período-piloto alargado, é o tipo de aposta que ou corre muito bem ou dará muito que falar.
Os resultados da primeira fase serão conhecidos no final de julho.
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A única coisa onde vejo interesse é no processo de correção, muito mais eficaz e com menos probabilidade de desvio.
Há provas que até dava para serem corrigidas por AI, não era preciso profs, como matemática, física, química.
O resto é tudo polémicas non sense, a tecnologia está preparada para tudo isso e muito mais, resta saber se quem fez a plataforma o fez bem. Senão é recorrer ao plano B e melhorar para o próximo ano
Os professores até tremem sabendo que a AI vai fazer a correção de imediato…
no publico a AI até dava as aulas por eles, não acrescentam nada
Verdade, poucos são os que se aproveitam e a ideologia de temas de esquerda que por lá apregoam até dói!
Por acaso alguma vez andaste na escola para estares a falar?
Estás com medo de perder o emprego Pedro António?
Eu fiz o meu percurso na escola pública e o meu filho mais velho também a frequentou durante 3 anos.
No entanto, o meu mais novo está a fazer todo o percurso no ensino privado e posso afirmar, por experiência própria, que não há comparação.
Poderia enumerar-te tantas diferenças mas acho que não irias ter paciência para ler tudo.
o zé Fonseca não teve professors, teve dançarinos na escola
Ele gasta 10 mil euros por mes na educação dos filhos, que recebem os exames antes, e depois gaba-se que acabaram com média de 20!
Tenho dois filhos, não há nenhuma escola em Portugal com mensalidade de 5000€, as mais caras custam menos de metade disso, por isso não gasto 10k.
Quando os meus filhos fizerem exames nacionais vão estar em pé de igualdade com todos, quer tenham andado numa privada ou pública, aí é que se vê que o ensino nas privadas vale a pena, todos os anos cada vez mais
Não me leve a mal, mas o que afirma é totalmente falso. O ensino privado em Portugal é apenas um negócio, onde todos os alunos têm boas notas, desde que paguem as mensalidades. A nível superior até se fazem curos por encomenda, como na universidade Fernando Pessoa. Conheço 2 abéculas, mas abéculas mesmo!, cujo pai queria que tirassem um curso de Gestão, o que seria impensável para tais criaturas devido à cadeira de Matemática, então a universidade Fernando Pessoa inventou, sim, inventou um curso de “Ciências Empresariais”, uma espécia de curso de Gestão para burros. E outros exemplos não faltam. Quanto a maior a carteira e as influências, maiores os milagres.
Se o presente já é o que é, o futuro é assustador.
Toda gente é descartável.
Zé Fonseca, sabes que segundo um estudo realizado na UP os alunos das escolas públicas têm melhores notas que os dos colégios provados? Os dos colégios privados são levados ao colo, não há atividades extra curriculares, na natureza, por ex., não há cidadania prática, há sim aulas, os currículos, e as muitas explicações só para os exames nacionais, só pensam nas classificações e é tudo, humanismo nada, e daí muitos dos nossos medicos e outros profissionais falharem a nível humano. Eu antes quer pessoas que pensem por si, livres e preparadas para todas as circunstâncias da vida, que betinhos que só vêem notas e pressionados pelos papas. Não me admiro de um colégio que torna o filho dom político médico, admiro a escola que torna o filho de um pescador médico, e há tantas, isso sim, é mérito, me mudança de estatuto! A ESCOLA PÚBLICA É A UNICA UNIVERSAL E CAPAZ DE MUDAR O ESTATUTO SOCIAL!
Desculpem os erros!
É incrível a quantidade de gente só andou a passear na escola e que agora a desdenha. Uns porque estão ressabiados, outros que tiveram sucesso APESAR DE não terem tido um grande percurso académico. E sim, APESAR DE. Podiam ter tido o mesmo ou mais sucesso se tivessem tido um percurso académico melhor, mas adoram sinalizar que não precisaram dele para nada, como se estivessem a compensar alguma coisa.
Também tive professores bons e maus, e aquela conversa toda repetida já até à exaustão, mas a escola é muito mais do que simplesmente ler manuais ou responder a testes, deixem lá os professores em paz para que possam aturar as crianças e ensinar-lhes alguma coisa.