Depois do Optimus, ex-cientista da Tesla quer criar um robô humanoide europeu
Chama-se Rémi Cadene e fez parte da equipa que treinou a Inteligência Artificial (IA) por detrás do Optimus, o robô humanoide da Tesla. Agora, saiu da órbita de Elon Musk e quer repetir o feito em solo europeu, com sede em Paris e o velho continente como primeiro mercado.
Depois de vários anos a trabalhar em IA aplicada à robótica nos Estados Unidos, Rémi Cadene decidiu regressar à Europa para lançar a sua própria startup.
Chama-se UMA (acrónimo para Universal Mechanical Assistant) e a ambição é construir um humanoide leve, alimentado por IA, capaz de operar em fábricas, armazéns logísticos e, mais tarde, também em casas, conforme já vimos outros fazerem.
O robô já tem nome, Northstar, e a apresentação mais detalhada aconteceu na Machina Summit, em Paris, a 7 de julho de 2026.
Segundo a Bloomberg, a empresa já está em conversações com cerca de 50 potenciais clientes interessados em perceber de que forma esta máquina pode ser integrada nas suas operações.
Para já, sabe-se que a prioridade é a Europa, com os Estados Unidos e a Ásia em segundo plano.

Rémi Cadene, cofundador e diretor-executivo da startup UMA. Fonte: Bloomberg/Getty Images, via Business Insider
Conforme reportado, Cadene mostrou já um protótipo inicial do Northstar a jornalistas na sede da UMA, no dia anterior ao anúncio, testando o equilíbrio e a capacidade de resposta da máquina.
A meta da empresa é entregar uma prova de conceito ainda este ano. Contudo, numa primeira fase, o robô vai deslocar-se sobre rodas em vez de pernas, e estará coberto por uma camada externa flexível, que Cadene compara a um fato de trabalho.
Um robô humanoide leve, pensado para conviver com humanos
De acordo com as informações mais recentes, o Northstar deverá pesar cerca de 40 kg, um valor pensado propositadamente para permitir uma interação segura com pessoas em ambientes partilhados.
A aprendizagem do robô assenta numa tecnologia batizada de Real-Time Learning, uma arquitetura que permite à máquina adquirir novas competências observando demonstrações, em vez de depender de programação manual tarefa a tarefa.
À Bloomberg, o ex-cientista da Tesla explicou que a lógica de negócio por detrás do projeto assenta no facto de os custos de mão de obra na Europa serem elevados. Por isso, tendo em conta as tendências demográficas do continente, a procura por este tipo de soluções irá, na sua perspetiva, crescer significativamente.

Em junho, vimos que a BMW estava a expandir o uso de robôs humanoides nas suas linhas de produção. Depois de o Figure 02 ter passado quase um ano a ajudar a construir o BMW X3, chegou a vez do Figure 03 entrar em ação. Leia mais aqui.
Equipa e investidores de peso
A UMA foi cofundada em outubro de 2025, com uma equipa de currículos igualmente sólidos:
- Pierre Sermanet, antigo investigador da Google DeepMind, assume o cargo de diretor científico;
- Simon Alibert, também ex-Hugging Face, é o diretor de tecnologia;
- Robert Knight, responsável pelo popular braço robótico open-source SO-100, ocupa o cargo de diretor de robôs.
Atualmente, a empresa conta com cerca de 30 colaboradores, distribuídos por França, em Paris, Inglaterra, em Londres, e Suíça.
A startup deu-se a conhecer publicamente em dezembro de 2025, apresentando uma lista de apoiantes que conta com investidores institucionais como a Greycroft, a Relentless, a Unity Growth Fund, a Red River West e a Factorial, e investidores individuais como o multimbilionário francês da tecnologia Xavier Niel e o ex-piloto de Fórmula 1 Nico Rosberg.
Entretanto, Yann LeCun, cientista-chefe de IA da Meta e vencedor do Turing Award, integra a lista de conselheiros.
Quanto ao financiamento, depois de, numa fase inicial, se falar numa procura de cerca de 40 milhões de dólares numa ronda seed, informação mais recente aponta já para esse valor como angariado pela empresa, ainda que a UMA não tenha confirmado oficialmente um montante final fechado.

O Optimus é o robô humanoide desenvolvido pela Tesla para executar tarefas repetitivas, fisicamente exigentes e potencialmente perigosas. Equipado com IA e tecnologias inspiradas nos sistemas de condução autónoma da empresa, foi concebido para apoiar o trabalho em fábricas e, no futuro, em ambientes domésticos. Recentemente, vimos que, apesar do cartão de cidadão norte-americano, parece que o Optimus tem ADN chinês.
Dois robôs e testes já em 2026
De acordo com os materiais de lançamento da empresa, o plano inclui um robô industrial móvel com dois braços, pensado para armazéns e linhas de montagem, além da versão humanoide mais compacta e leve, o Northstar, destinada a espaços mais próximos do ser humano, como hospitais, laboratórios e até casas.
A empresa promete ainda arrancar, ao longo de 2026, com vários programas-piloto nas áreas da logística, indústria e saúde.
A ideia é posicionar o robô humanoide Northstar como uma máquina capaz de perceber, mover-se e manipular objetos em ambientes reais e imprevisíveis, e não apenas em demonstrações cuidadosamente ensaiadas para as câmaras.
A estratégia da UMA apoia-se na forte base industrial europeia e na escassez de mão de obra que atinge vários setores no continente, desde armazéns com elevada rotatividade de pessoal até sistemas de saúde com falta de milhões de profissionais.
A concorrência por cá
Na Europa, empresas como a alemã Neura Robotics e a Sereact, sediada em Estugarda, têm conseguido angariar somas consideráveis em investimento no último ano.
Do outro lado do Atlântico, líderes como a Figure e a 1X continuam a bater recordes de implementação. Aliás, a Figure já tem robôs a trabalhar em turnos na fábrica da BMW em Spartanburg, ajudando a construir dezenas de milhares de veículos.
O mesmo acontece com a parceria entre a Hyundai e a Boston Dynamics.
Neste contexto, apesar de a UMA ainda não ter um produto pronto a comercializar, apresentou-se com uma equipa credível, um volume considerável de investimento e uma carteira reivindicada de 50 potenciais clientes a avaliar casos de uso.
Por isso, resta aguardar para saber os próximos passos e perceber se a UMA conseguirá criar um produto real, pronto a sair da fábrica e a funcionar em contexto empresarial ou doméstico.




















40kg ainda é demasiado pesado, pode matar alguém se cair. Especialmente crianças( e estas uma das coisa que vão fazer é precisamente essa) e idosos.
europa a regular com medo de……!
A Europa não precisa de robôs.
Quando tivermos quase todos 100 anos quem (n)os trata?
Prefiro que continuem a ser pessoas
SENDO UM ROBOT COM ASPECTO MECÂNICO DE ROBOT E NÃO HUMANO , ESSE É UM DOS PRINCIPAIS FACTORES ….DEPOIS TEMOS DE VERIFICAR. CUIDADOSAMENTE AS SUAS FUNÇÕES QUE DEVEM SER EXCLUSIVAMENTE DE COMPANHIA E SERVIÇOS PRESTADOS DE. SAÚDE .