Na China, os óculos inteligentes são usados para navegação, tradução… e copiar em exames
Os óculos inteligentes estão a ganhar terreno na China, sendo usados para tarefas do dia a dia, como navegação e compras, mas, também, para situações mais controversas, como copiar em exames.
Em Portugal, os óculos inteligentes continuam a ser um produto de nicho, com adoção limitada e muito concentrada em entusiastas de tecnologia, longe ainda de uma presença no quotidiano da maioria dos consumidores.
Já na China, embora não sejam plenamente massificados, estes dispositivos começam a ganhar alguma escala e visibilidade, impulsionados por empresas locais, preços mais acessíveis e até incentivos governamentais.
Este contexto tem promovido uma integração gradual em diferentes contextos do dia a dia.
Segundo uma reportagem da rest of world, alguns utilizadores iniciantes têm optado por alugar os óculos inteligentes por cerca de seis dólares por dia, aproveitando várias das suas funções.
Um dos exemplos dados pela publicação online é o de Vivian, uma estudante universitária da província de Hebei, que usa os seus óculos Rokid para se deslocar de scooter e comparar preços enquanto faz compras, fotografando etiquetas para verificar valores online.
Em certas ocasiões, admite utilizá-los para copiar em exames, já que os dispositivos conseguem digitalizar perguntas e projetar respostas diretamente na lente.
Governo da China incentiva a compra de óculos inteligentes
Com preços a variar entre cerca de 270 e mais de 1000 dólares, este tipo de dispositivo, que chega equipado com câmaras, áudio e sistemas baseados em modelos de linguagem avançados, já se tornou numa indústria multimilionária.
Apesar do crescimento global, a China ainda representa uma fatia relativamente pequena do mercado. Em 2025, foram distribuídas 2,5 milhões de unidades no país, cerca de 16,7% do total mundial, segundo dados da International Data Corporation (IDC).
Ainda assim, empresas chinesas têm vindo a apostar neste segmento, lançando modelos com funcionalidades como contagem de calorias ou experiências imersivas de entretenimento. O próprio Governo chinês incluiu estes dispositivos num programa de incentivos ao consumo, com descontos até 15%.

No final do ano passado, a Amazon revelou oficialmente os seus óculos inteligentes. Projetados para os seus Delivery Associates, os óculos ajudam-nos a digitalizar encomendas, seguir instruções passo a passo e capturar comprovativos de entrega. Tudo isto sem usar o smartphone, à distância do olhar.
Desde 2025, empresas como Xiaomi, Alibaba e a fabricante de veículos elétricos Li Auto lançaram modelos de óculos inteligentes, destacando funcionalidades que vão desde o rastreio de calorias em tempo real até experiências de cinema com realidade virtual.
Além dos curiosos e entusiastas, os estudantes têm demonstrado interesse em óculos inteligentes, recorrendo a eles para realizar exames.
Embora dispositivos deste tipo estejam proibidos em provas nacionais importantes, muitos professores não os conseguem identificar em avaliações comuns.
Aliás, recentemente, investigadores em Hong Kong demonstraram o potencial destes óculos ao ligá-los a sistemas de IA, permitindo a um utilizador alcançar um dos melhores resultados numa turma com mais de 100 alunos.
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Isto para o governo chinês, é uma maravilha.
Mais uma forma de espiar e controlar a população.
Outro dia, por mero acaso enquanto procurava uma nova capa para o telemóvel, fui parar a uma loja online ali do nosso país vizinho, devidamente traduzida para português abrasileirado, que vende artigos cuja descrição indicava serem apropriados para copiar em exames. Assim mesmo, sem papas na língua… ou nos dedos, a venderem e a lucrarem com artigos que eles próprios na loja recomendavam para fazer batota em exames!
Neste sistema em que vivemos quem é honesto não vai longe.
É o chico espertismo, no seu melhor.