Samsung enfrenta a maior greve da sua história: 48.000 trabalhadores ameaçam parar fábricas
Quase metade da força de trabalho doméstica da Samsung pode cruzar os braços durante 18 dias. Em causa estão bónus considerados injustos face aos pagos pela concorrente SK Hynix, e o impacto pode fazer tremer o mercado global de chips.
O que está em causa?
O sindicato da Samsung exige o fim de um limite que restringe os bónus anuais a 50% do salário base, e pede que 15% do lucro operacional seja distribuído pelos trabalhadores. Além dos valores, quer que estas condições fiquem vinculadas contratualmente, não apenas válidas para este ano.
A empresa respondeu com bónus extraordinários:
- Para os trabalhadores de chips de memória, os bónus poderiam superar os pagos pela rival SK Hynix, estimados em 607% do salário anual.
- Para os trabalhadores de chips de processamento, a oferta situava-se entre 50% e 100%.
Contudo, seria um pagamento único, sem alterar as regras estruturais dos bónus.
Porquê agora e porquê tanta tensão?
A Samsung e a SK Hynix vivem um momento de lucros recordes, alimentados pela escassez global de chips de memória e pela explosão da Inteligência Artificial (IA).
Contudo, enquanto a SK Hynix aboliu o teto de bónus por 10 anos, o que resultou em compensações mais de três vezes superiores às da Samsung, esta última manteve as restrições.
Esta decisão resultou numa vaga de saídas de trabalhadores qualificados para a concorrência e um crescimento expressivo das filiações sindicais.
Em 2024, cerca de 6000 trabalhadores fizeram greve. Desta vez, o número pode chegar a 48.000, representando 38% de toda a força de trabalho doméstica da empresa.

Entretanto, um tribunal sul-coreano concedeu parcialmente a injunção pedida pela Samsung, obrigando à manutenção de pessoal mínimo nas fábricas durante a paragem, cerca de 7087 trabalhadores terão de continuar ao serviço.
Afinal, as unidades de produção em Pyeongtaek e Hwaseong funcionam 24 horas por dia, em três turnos, o que torna qualquer perturbação especialmente sensível.
Aliás, a Samsung é a maior fabricante mundial de chips DRAM, com 36% do mercado global. Uma paragem de 18 dias pode reduzir o fornecimento mundial de DRAM entre 3% e 4%, e de memória NAND entre 2% e 3%, segundo analistas, citados pela Reuters, o que deverá pressionar ainda mais os preços, já em alta.

Esta greve é, portanto, muito mais do que uma disputa laboral interna, destacando as tensões crescentes entre os lucros recordes da indústria de semicondutores e as expectativas dos trabalhadores que os tornam possíveis.
Num momento em que os chips de memória são infraestrutura crítica para a IA e para os centros de dados de todo o mundo, qualquer disrupção na Samsung tem repercussões globais imediatas. O desfecho das negociações será determinante.


















