Novo ano e novo lançamento do topo de gama dos smartwatches da Apple. O Apple Watch Ultra 4 traz algumas novidades, mas será que vale a pena face ao que o Ultra 3 oferece? Vamos analisar.
O Apple Watch Ultra 4 mantém o desenho robusto do antecessor, mas estreia sensores de saúde mais avançados e oferece maior autonomia.
A Apple voltou a atualizar o seu relógio mais preparado para o desporto e a aventura. Apresentado a 9 de setembro, o Apple Watch Ultra 4 aposta numa evolução que se sente sobretudo no acompanhamento do corpo: recolhe mais informação ao longo do dia e transforma esses dados em indicações sobre esforço e recuperação.
Para quem já tem um Ultra 3, a questão é perceber se estas novidades justificam a troca. A resposta passa principalmente pelo novo Health Sensing System (sistema de registro de dados de saúde), a principal inovação de saúde desta geração.

Um novo sistema de sensores para acompanhar melhor o coração
O Ultra 4 estreia uma arquitetura que combina sensores cardíacos ótico e elétrico redesenhados. Com LEDs verdes maiores e mais eficientes, o relógio passa a medir a frequência cardíaca a cada cinco segundos, ao longo do dia.
Também a variabilidade da frequência cardíaca, habitualmente identificada pela sigla HRV, recebe atenção especial. Esta medição pode agora ocorrer a cada cinco minutos, uma frequência até 24 vezes superior, segundo a Apple.
A HRV representa a variação do intervalo entre batimentos e fornece informação útil para acompanhar sinais de stress e recuperação.
Na prática, o novo sistema permite construir um retrato mais detalhado da resposta do organismo às exigências do dia. A aplicação Sinais Vitais ganha uma perspetiva diurna que complementa o acompanhamento noturno, ajudando a identificar alterações nas métricas antes da noite seguinte.
Disposição: perceber quando acelerar e quando recuperar
A aplicação mais imediata destes dados é o Readiness (Disposição), uma pontuação de zero a dez que combina atividade recente, sinais vitais e sono.
O objetivo é fornecer uma indicação simples sobre a capacidade do corpo para enfrentar o dia ou um treino. A avaliação pode sugerir recuperação, um ritmo mais moderado ou maior intensidade, atualizando-se à medida que chegam novos dados. O utilizador consegue também consultar os fatores que influenciaram o resultado.
É uma mudança relevante para quem já acompanha distâncias, ritmos e calorias, mas pretende dar mais atenção à recuperação entre sessões. A pontuação funciona como orientação de bem-estar e atividade física, não como diagnóstico médico.
O Ultra 3 já tinha várias funções importantes de saúde
O modelo anterior continua a oferecer ECG, notificações de apneia do sono e alertas de hipertensão. Estas funções não são estreias do Ultra 4.
A diferença mais importante está, portanto, na nova arquitetura dos sensores e na maior frequência de recolha de dados, que sustenta o acompanhamento mais aprofundado da recuperação.
A disponibilidade das funcionalidades de saúde continua sujeita aos respetivos requisitos e à região.
O desenho mantém-se, o processador evolui
Os dois relógios apresentam caixa de titânio de 49 mm, ecrã OLED LTPO3 sempre ligado e brilho máximo de 3000 nits. A continuidade visual é clara, mantendo-se também os 64 GB de armazenamento.
No interior, o Ultra 4 substitui o processador S10 pelo S11. Para quem procura uma mudança evidente no aspeto do relógio, esta geração será discreta; para quem valoriza a monitorização e a utilização diária, as diferenças são mais concretas.
Mais oito horas de autonomia anunciada
A bateria é outro argumento do Ultra 4. A autonomia anunciada passa de 42 para 50 horas em utilização normal, um aumento de cerca de 19%. Em modo de baixo consumo, evolui de 72 para 84 horas.
Uma passagem rápida pelo carregador também rende mais. Segundo a Apple, 15 minutos de carregamento permitem até 18 horas de utilização normal no Ultra 4, contra 12 horas no Ultra 3. A autonomia real varia com a utilização, a configuração e outras condições.

Vale a pena trocar o Ultra 3 pelo Ultra 4?
Para quem está satisfeito com o Ultra 3, a nova geração não torna o relógio anterior desatualizado. Continua a existir uma base muito semelhante de ecrã, construção e funcionalidades de saúde.
A troca ganha interesse para quem quer acompanhar melhor a recuperação ou precisa de maior margem entre carregamentos.
O principal argumento do Ultra 4 é a combinação de medições cardíacas mais frequentes com informação mais útil sobre a disponibilidade do corpo para o esforço.

Há ainda novidades anunciadas para a aplicação Saúde, incluindo a funcionalidade Health Age (idade biológica), previstas para mais tarde este ano e inicialmente em inglês dos Estados Unidos.
Estas têm requisitos próprios e não devem ser confundidas com funções exclusivas do Ultra 4 disponíveis desde o lançamento em Portugal.
Em resumo: vale a pena investir no Apple Watch Ultra 4 se tiver o 3?
Para a maioria dos utilizadores do Apple Watch Ultra 3, a troca pelo Ultra 4 não será essencial. O modelo anterior continua a oferecer um ecrã semelhante, funcionalidades importantes de saúde e comunicação por satélite.
O Ultra 4 ganha interesse para quem valoriza um acompanhamento mais detalhado da recuperação física, graças aos novos sensores e ao Readiness, ou precisa da autonomia adicional: até 50 horas de utilização normal, contra 42 horas no Ultra 3.
Se o Ultra 3 responde bem às suas necessidades, mantê-lo é a escolha mais sensata. A atualização faz sobretudo sentido para quem vai tirar partido destas melhorias no treino e no dia a dia.























