Coinbase despede 14% da sua equipa: CEO foi brutalmente honesto na justificação
A maior exchange de criptomoedas dos Estados Unidos vai eliminar 14% da sua força de trabalho. O diretor-executivo, Brian Armstrong, quer transformar a empresa numa estrutura "inteligente", nativa em Inteligência Artificial (IA).
A Coinbase é uma plataforma digital que permite comprar, vender e armazenar criptomoedas como Bitcoin e Ethereum, sendo uma das mais conhecidas do setor a nível global.
Fundada em 2012, destaca-se pela sua interface simples e acessível, o que a torna popular entre iniciantes, ao mesmo tempo que oferece ferramentas mais avançadas para utilizadores experientes.
Esta semana, a empresa anunciou um corte de 14% nos seus quadros, o que se traduz em cerca de 700 despedimentos numa empresa com 4951 colaboradores a tempo inteiro.
O anúncio foi feito por Brian Armstrong, cofundador e diretor-executivo da exchange, num memorando interno partilhado, também publicamente, na rede social X.
This is an email I sent earlier today to all employees at Coinbase:
Team,
Today I’ve made the difficult decision to reduce the size of Coinbase by ~14%. I want to walk you through why we're doing this now, what it means for those affected, and how this positions us for the…
— Brian Armstrong (@brian_armstrong) May 5, 2026
No comunicado, Armstrong não deixou dúvidas sobre o rumo estratégico, revelando que a Coinbase quer transformar-se numa espécie de "inteligência", onde a IA ocupa o núcleo central das operações e os colaboradores humanos existem apenas "nas margens", para orientar e alinhar o sistema.
Segundo o diretor-executivo, todas as empresas atingiram um "ponto de inflexão" em que não adotar IA é o maior risco que podem correr.
IA como motor de crescimento inevitável
Para justificar os despedimentos, a empresa invocou dois fatores:
- A adoção de IA, que permite fazer mais com menos recursos humanos;
- A instabilidade atual do mercado da criptomoeda, com Armstrong a reconhecer que o negócio "ainda é volátil de trimestre para trimestre" e que era necessário ajustar a estrutura de custos para a empresa sair deste período "mais leve, rápida e eficiente".
Conforme compilado pelo Financial Times, o Bitcoin perdeu 8% desde janeiro de 2026, enquanto o Ethereum e o Solana afundaram 20% e 32%, respetivamente, após um crash repentino em outubro de 2025 que abalou todo o ecossistema.
A par disso, as ações da própria Coinbase caíram mais de 15% desde o início do ano.
A Coinbase não está sozinha nesta tendência. Empresas como a Meta, a Crypto.com e a Snap também citaram a IA como motivo para eliminar postos de trabalho em 2026. O fenómeno começa a ganhar contornos sistemáticos na indústria tecnológica.

Conforme informámos, dados do portal Layoffs.fyi indicam que, desde o início do ano, mais de 92 mil profissionais perderam o emprego em todo o mundo. A razão mais frequentemente apontada é a IA, não porque substitua diretamente os programadores, mas porque as empresas estão a reduzir estruturas para concentrar recursos no seu desenvolvimento.
Reestruturação profunda
Além dos despedimentos, Armstrong anunciou mudanças estruturais significativas: a hierarquia da empresa vai ser achatada e serão criadas equipas "IA-nativas", compostas por grupos reduzidos, mas altamente produtivos, assistidos por agentes de IA.
O objetivo declarado é que a IA seja usada em cada faceta do trabalho diário.
Com os trabalhadores afetados a serem cortados do acesso aos sistemas de forma imediata, Armstrong admitiu que a medida pode parecer "súbita e dura", mas justificou-a com a necessidade de proteger os dados dos clientes e de agir com rapidez.
Para o diretor-executivo, a redução de pessoal não é apenas uma questão de corte de custos, mas sim uma aposta na reinvenção total da empresa.

Brian Armstrong, cofundador e diretor-executivo da Coinbase, a discursar no Fórum Económico Mundial, em janeiro. Crédito: Stefan Wermuth/Bloomberg/Getty Images, via Fortune
Coinbase é cada vez mais poderosa
A Coinbase tem crescido muito além de uma simples plataforma de compra e venda de criptomoedas.
Hoje, os utilizadores podem negociar versões tokenizadas de ações tradicionais, aceder a mercados de finanças descentralizadas e participar num mercado de previsões que concorre diretamente com plataformas como a Polymarket, por exemplo.
Com uma valorização de mercado de cerca de 55 mil milhões de dólares, a empresa tem, também, uma influência crescente em Washington.
Aliás, a Coinbase doou 300 milhões de dólares para a renovação da Casa Branca de Trump e chegou a bloquear, publicamente, a aprovação de legislação sobre ativos digitais ao retirar o seu apoio.



















Mais uma empresa a vender terrenos na lua… devia ter-me dedicado isto em vez de trabalhar.
O que é que recebes quando trabalhas?
Incrível como o mercado está em baixa desde Outubro, aliás o mercado crypto está em baixa desde Outubro enquanto o mercado tradicional está em máximos históricos, e mesmo assim nem uma alminha a gritar “eSqUeMa eM pIrÃmIdE!”
Da última vez que o mercado caiu significativamente, e até eram todos os mercados, foi em 2022 e os comentários a dizer que isto era tudo obra da Dona Branca e o catano eram às dezenas.
A partir de Janeiro de 2024 quando os primeiros ETFs de Bitcoin foram aprovados nos Estados Unidos nunca mais se viu mais nada, desapareceram todos, desde aí que têm estado a chorar baixinho em posição fetal por nunca terem investido ao longo dos últimos anos e terem andado a chamar retardados a quem andava a investir.
Afinal os retardados eram outros, mas não deram o braço a torcer ao invés disso engoliram os sapos e desapareceram todos do radar com vergonha.
Como as coisas mudam.
O mercado de stablecoin está em constante expansão, enquanto criptomoedas como Dogecoin parecem não ter muita utilidade prática além de jogar com o mercado.
Isto ainda estamos no começo, cada dia que passa a AI consegue mais com menos…
O que ele devia dizer é, vou mandar muitos de vocês às ortigas porque eu tenho de continuar a receber prémios pornográficos.
Podiam começar pelos executivos, pois acredito que o custo reduzia.
Alem disso o custo da IA parece ser muito reduzido.
Tal como não aceitavas ser operado por uma AI, de certeza se tivesses dinheiro investido na empresa também não gostavas que as decisões importantes fossem tomadas por AI…
Por outro lado o trabalho de linha, ou call center são posições facilmente substituíveis por AI.
Acho que as pessoas não entendem que uma empresa é um negócio e não uma santa casa da misericórdia.
Certo. E as empresas não entendem que quem compra serviços / produtos são pessoas, e não AI. Quando, á volta, só sobrarem empresas repletas de agentes de AI, e sem colaboradores humanos, vão dizer ai-ai, e agora?
Já tens supermercados totalmente automáticos sem staff….. Não entendo o espanto, que têm produzir algo totalmente automizado com as pessoas comprarem???
Os capitalistas preferem sempre não pagar salários às pessoas, e ponto final, a pagar-lhes para elas lhes comprarem bens e serviços. A prazo as pessoas vão perceber que elas e os capitalistas são mesmo inimigos, e que eliminar capitalistas vai ser uma questão existencial para as pessoas, e eliminar pessoas uma questão existencial para os capitalistas. E isso vai dar origem a uma revolução, ou a uma guerra em grande escala.
Hmn Hmn, já tens um sistema melhor? Ou ainda continuas simplesmente a reclamar de tudo?
call center de IA??????????????????!
O problema que todas as empresas empurram com a barriga é o obvio, quanto mais gente for substituida por IA menos produtos/Serviços vão ser adquiridos, simplificando a uma escala global é isto que vai acontecer. O outro problema creio que mais imediato é referente aos quadros senior. Juniors, intermedios estao a ser substitutidos por IA e quem vai ganhar competencias para os cargos senior a IA?
+1
As empresas não são gente. São os capitalistas, que preferem, e bem, dizer “as empresas” porque sabem perfeitamente que as pessoas detestam capitalistas e que “empresas” parece mais bonito. E o negócio dos capitalistas não é pagar mais pelo trabalho dos quadros senior, Juniors, e intermedios. É pagar menos! De preferência nenhum.