Viagens de jato privado do presidente da FIFA no Mundial 2026 estão a sair caras
Enquanto a FIFA promete um Mundial mais sustentável, o seu presidente, Gianni Infantino, tem estado a cortar caminho pelo céu norte-americano a bordo de um jato privado. Uma investigação da BBC revela números surpreendentes.
O Campeonato do Mundo da FIFA é, por natureza, um desafio logístico. Em 2026, pela primeira vez, a competição está distribuída por três países — Estados Unidos, Canadá e México — e 16 cidades, com uma fase de grupos alargada que multiplicou o número de jogos.
De facto, em 2022, os oito estádios que receberam o Mundial no Qatar ficavam a, no máximo, uma hora de distância uns dos outros.
Assim sendo, este ano, perante um desafio logístico sem precedentes, a BBC decidiu seguir os passos de Gianni Infantino, literalmente.
O rasto de um jato privado
Segundo a investigação da BBC Verify e BBC Sport, um jato privado associado à FIFA e ao seu presidente realizou 27 voos nas primeiras duas semanas e meia de torneio, coincidindo sistematicamente com as cidades e datas em que Infantino foi fotografado nos estádios.
O avião em causa terá sido um Gulfstream G650ER, depois de Infantino já ter sido visto anteriormente a usar um jato executivo da Qatar Airways.
A FIFA não confirmou o modelo à BBC, mas o cruzamento de dados de rastreamento aéreo com o calendário de jogos deixa poucas dúvidas.
Em alguns dias, o ritmo foi tão frenético quanto dois jogos por dia, em cidades separadas por centenas de quilómetros, obrigando a até três voos no mesmo dia.
O trajeto mais longo, entre Vancouver e Miami, a 13 de junho, somou cerca de 4507 km. Já o dia de maior distância percorrida foi o 15 de junho, quando o presidente da FIFA viajou de Miami para Seattle (mais de 4000 km) e, horas depois, seguiu para Los Angeles para assistir a mais um jogo.
No total, entre o início do torneio e 27 de junho, o jato percorreu pelo menos cerca de 50.122 km, e esteve mais de 66 horas no ar.
E as emissões destas viagens todas de jato privado?
Traduzindo estes voos em impacto ambiental, as contas da BBC, baseadas nos fatores de conversão do Governo britânico, apontam para uma emissão estimada de 516 toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e) apenas na primeira quinzena de competição.
Para colocar o número em perspetiva, a média global de emissões anuais por pessoa ronda as 6,56 toneladas de CO2e.
Ou seja, as viagens de Infantino em pouco mais de duas semanas equivalem ao que 78 pessoas emitiriam ao longo de um ano inteiro.
Especialistas ouvidos pela BBC não pouparam críticas. Denise Auclair, da Federação Europeia para o Transporte e Ambiente, lembra que os jatos privados são "cinco a 14 vezes mais poluentes do que aviões comerciais e 50 vezes mais do que os comboios".
Já Freddie Daley, investigador da Universidade de Sussex ligado à rede Cool Down, considera que o uso do jato privado é um sintoma das falhas da FIFA em matéria ambiental.

Gulfstream G650ER, o modelo de jato privado que a BBC associou à FIFA e ao seu presidente na investigação.
Questionada pela BBC, a FIFA não respondeu a perguntas concretas sobre quantas pessoas viajam a bordo do jato ou se as emissões são compensadas.
Por sua vez, a Federação Internacional de Futebol limitou-se a um comunicado genérico, a garantir que o presidente "viaja regularmente, juntamente com funcionários relevantes, em assuntos de negócio e relacionados com o torneio", e que as deslocações são organizadas "por vezes em voos comerciais e por vezes em jatos privados, dependendo do que for mais eficiente e económico".
As promessas da FIFA para o Mundial 2026
Curiosamente, a FIFA fez da sustentabilidade uma das bandeiras deste Mundial 2026.
A organização comprometeu-se a reduzir as emissões em 50% até 2030 e a atingir a neutralidade carbónica até 2040, apostando em medidas como o alojamento regional das seleções, maior eficiência energética e o reaproveitamento de estádios já existentes.
Um relatório de 2025 da Scientists for Global Responsibility antecipava, contudo, que este Mundial 2026 poderia gerar até nove milhões de toneladas de CO2e, quase o dobro da média dos últimos quatro Mundiais, tornando-o potencialmente o torneio mais poluente de sempre.
Leia também:
Imagem: Reuters
Fonte: BBC
Neste artigo: co2, emissões CO2, FIfa, jato privado, Mundial 2026





















Pouco BOM!!!!
A malta da bola para isso tudo e se calhar a malta que nem gosta de bola (eu) também paga, mas o que interessa é haver circo.
Fazem mais mal ao mundo do que bem, saldo negativo.
Pah, vamos lá beber pelas nossas palhinhas de papel e colocar as garrafas no Volta porque nos preocupamos com o ambiente
A FIFA sempre foi um bocado corrupta e com ética questionável. Mas agora esta a bater recordes.
Lembras-te do Blatter e do
Platini? Já na altura aquilo era uma corrupção pegada.
Mas para os outros recomenda viagens a cavalo ou de burro, ou de carro elétrico. Nada de novo.
Mas alguém acredita no que estes “presidentes” e “CEOs” dizem? São 99,99% todos mentirosos. Basta ver o preço dos bilhetes. Qual sustentabilidade. Ele nem deve o que essa palavra significa. Culpa disto também é dos parolos que lhes atiram com milhares de euros só para depois meter uma foto no Instagram a fazer beicinho a dizer que estão no estádio.
Curiosamente não há estádios vazios, os hotéis estão cheios e o consumo está em altas.
Os americanos só pedem para que haja um destes todos os anos porque nunca viram a América assim
Quero vêr quando chegam as multas contra o greenwashing…
Vou esperar sentado.
A minha fonte privilegiado na Fifa revelou-me o plano para atingirem a neutralidade carbónica – vão pôr todos, incluindo jogadores e treinadores, a pedalarem em bicicletas durantes os voos para carregarem as baterias. Só o Infantino fica dispensado da tarefa.
Vassalo do trampa.
Outro platini, joseph blattwr…..porque sao godos corruptos? Resistam ao anel, aprendam com o frodo!
Mais um artista.
Mas nada de novo. Já não foi feito um estudo, que revelou que o pessoal com dinheiro, é quem polui mais.
Ora ora, qual é o problema de este distinto cavalheiro usar jacto privado para ir tomar café, fazer compras às melhores boutiques ou simplesmente dar um passeio? É preciso atacar a poluição onde ela está, ou seja, nos pobres. Eles não poluem praticamente nada, é verdade, mas em compensação são muitíssimos.
Estes não emitem CO2 vejam lá bem. Como são ricos não poluem.
…por esta e por outras é que ninguém me apanha no futebol!!