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Stonehenge era um computador? Um astrónomo usou um IBM e criou uma teoria fascinante

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E se Stonehenge tivesse servido para prever eclipses milhares de anos antes da informática? Foi essa a hipótese apresentada pelo astrónomo Gerald Hawkins nos anos 60. Para tentar desvendar o mistério, o investigador recorreu a um computador IBM e a um detalhe curioso: 56 buracos no chão.

Stonehenge é um dos monumentos pré-históricos mais conhecidos do mundo, mas a sua função continua a suscitar debate. A disposição das enormes pedras tem alimentado várias interpretações, incluindo uma que parece saída de uma história de ficção científica: o conjunto poderia funcionar como uma espécie de computador.

A ideia ganhou força quando Gerald Hawkins decidiu estudar o monumento com uma ferramenta pouco habitual na arqueologia daquela época.

Um IBM para reconstruir o céu do passado

Em 1961, Hawkins visitou Stonehenge para perceber de que forma as pedras assinalavam o nascer do Sol. Durante a visita, reparou que as aberturas entre os grandes blocos pareciam dirigir o olhar para pontos específicos do horizonte.

De regresso aos Estados Unidos, registou as posições dos elementos do monumento e utilizou um computador IBM 7090 para calcular onde estariam o Sol e a Lua milhares de anos antes.

Os resultados sugeriam várias correspondências entre os alinhamentos das pedras e os movimentos dos dois astros. A partir daí, o investigador desenvolveu uma hipótese que popularizou no livro Stonehenge Decoded, publicado em 1965.

Os buracos de Aubrey são um conjunto circular de 56 cavidades escavadas no solo calcário de Stonehenge, assim designadas em homenagem a John Aubrey, um estudioso de antiguidades do século XVII. Datam das primeiras fases de Stonehenge, entre o final do quarto milénio e o início do terceiro milénio a.C. Apesar de décadas de debate e análise, a sua finalidade continua a ser desconhecida, embora tenha sido frequentemente sugerida uma função astronómica.

Os 56 buracos que poderiam ajudar a prever eclipses

A peça central da proposta eram os chamados buracos de Aubrey: um círculo de 56 cavidades à volta do monumento.

Segundo Hawkins, seria possível utilizar essas posições como um sistema de contagem. Ao mover marcadores entre os buracos, seguindo determinadas regras, os utilizadores poderiam acompanhar ciclos lunares e antecipar condições para a ocorrência de eclipses.

O conceito de “computador” referia-se, portanto, à capacidade de realizar cálculos através de posições e movimentos. A proposta chegou mesmo à revista científica Nature, num artigo publicado em 1964 com o título Stonehenge: A Neolithic Computer.

A teoria não resistiu, mas a ligação ao céu permanece

Apesar do impacto, as investigações posteriores não encontraram provas convincentes de que Stonehenge tivesse sido concebido como um dispositivo para prever eclipses. Os numerosos alinhamentos precisos necessários para sustentar essa interpretação também não ficaram demonstrados, como explica uma análise da British Academy.

Já a relação com o Sol tem bases mais sólidas. Segundo a English Heritage, as grandes pedras foram cuidadosamente colocadas de acordo com os movimentos solares. No solstício de verão, o Sol nasce junto à Heel Stone, quando observado a partir do centro do monumento.

A possível ligação aos movimentos da Lua continua a ser debatida. Observar esses ciclos poderia ajudar a marcar a passagem do tempo e ter significado religioso para as comunidades que utilizaram o local.

Stonehenge poderá nunca ter sido o “computador2 imaginado por Hawkins. Ainda assim, a tentativa de o descodificar com um IBM deixou uma história curiosa: nos primeiros tempos da computação científica, já se usava tecnologia para investigar os conhecimentos de quem viveu há milhares de anos.

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  1. Avatar de João
    João

    Os buracos eram para o toldo!

  2. Avatar de Pato
    Pato

    Stonehenge é uma farsa, 90% das pedras foram montadas em 1958 com cimento.

  3. Avatar de Luís+Rosa
    Luís+Rosa

    Fui o primeiro a escrever um comentário; não apareceu. Se fizerem o especial favor; espero que não seja pedir muito, vão visitar a vossa pasta de spam. Porra, já é a segunda vez.

    1. Avatar de Vítor M.

      Não encontro o comentário nem no SPAM. Podes voltar a comentar?

      Obrigado.