Som em vez de água: a tecnologia que pode revolucionar o combate a incêndios
Ondas sonoras de baixa frequência estão a ser testadas como alternativa aos sistemas tradicionais de combate a incêndios. A tecnologia existe há uma década, mas só agora chegou ao mundo real.
Para apagar um incêndio, é quase sempre necessário água. No entanto, essa máxima está agora a ser desafiada por uma startup californiana.
Recentemente, num centro de treino em Concord, na Califórnia, a Sonic Fire Tech demonstrou um sistema capaz de extinguir chamas, sem uma única gota de água.
A tecnologia baseia-se em ondas sonoras de infrassons, ou seja, frequências abaixo dos 20 hertz, imperceptíveis ao ouvido humano.
Utilizar ondas sonoras para combater incêndios não é um conceito totalmente novo. A Agência de Projetos de Investigação Avançada de Defesa dos Estados Unidos (em inglês, DARPA) estudou o método de 2008 a 2011, e investigadores exploraram a técnica na década seguinte, incluindo uma equipa da Universidade George Mason, que construiu um extintor sónico, em 2015.

Como as ondas sonoras podem combater incêndios sem água. Crédito: Thomas Fuchs/Scientific American
A ciência por trás do som
O triângulo do fogo (calor, combustível e oxigénio) é o princípio que toda a supressão de incêndios procura quebrar.
As ondas sonoras afastam as moléculas de oxigénio do combustível, impedindo que o fogo obtenha o ar necessário para continuar a sua reação de combustão.
Na prática, o sistema não introduz ar novo. Por sua vez, faz vibrar o oxigénio já existente mais rapidamente do que o fogo consegue utilizá-lo.
Perante isto, a Sonic Fire Tech utiliza um conjunto de sensores, incluindo infravermelhos, e um controlador baseado em Inteligência Artificial para detetar os primeiros sinais de ignição.
De seguida, aciona um gerador acústico que distribui o som através de condutas instaladas no telhado e nos beirais do edifício.
Na demonstração, em Concord, um incêndio simulado numa frigideira com gordura foi detetado e extinto automaticamente em segundos, conforme reportado pela imprensa norte-americana.
Objetivo é ir além das casas e equipar bombeiros
Indo além das instalações residenciais, a Sonic Fire Tech apresentou, também, uma mochila sónica pensada para equipas de combate a incêndios florestais.
Onde os bombeiros usam hoje mochilas com cerca de 20 litros de água que se esgotam rapidamente e obrigam a um veículo-cisterna de apoio constante, o sistema sónico opera com uma bateria com autonomia de várias horas.
Para uso doméstico, o sistema foi concebido para funcionar de forma autónoma, suportado por bateria de reserva, e capaz de operar continuamente durante dias. O objetivo é que a própria casa se proteja a si mesma.

O sistema funciona com uma aplicação integrada, a Sonic Alert, que oferece monitorização remota, alertas instantâneos de incêndio e controlo a partir de qualquer lugar.
Comunidade científica está cética
Apesar do entusiasmo, especialistas em proteção contra incêndios sublinham que são necessários mais testes para demonstrar em que situações o sistema é verdadeiramente fiável, e que qualquer equivalência a sistemas certificados exige validação independente mais robusta.
Segundo Arnaud Trouvé, diretor do departamento de engenharia de proteção contra incêndios da Universidade de Maryland, as ondas acústicas podem ter um efeito significativo sobre o fogo. Contudo, funcionam apenas em chamas de pequena dimensão.
De facto, por agora, a Sonic Fire Tech posiciona o sistema como complemento dos aspersores de água tradicionais.
Primeiros passos comerciais
A empresa foi distinguida como honoree nos CES 2026 Innovation Awards na categoria Smart Home, um sinal de que a indústria tecnológica reconhece o potencial da solução.
Além disso, está a trabalhar com empresas de energia da Califórnia, incluindo a Pacific Gas & Electric e a Southern California Edison, para demonstrar a tecnologia, e conta já com contratos assinados com proprietários particulares. O objetivo é atingir 50 instalações-piloto.
Na perspetiva do diretor-executivo, Geoff Bruder, o grande desafio é convencer o mercado a avaliar o produto pelo que consegue fazer hoje, e não apenas pelo que poderá vir a fazer no futuro.



















Qualquer semelhança com o filme de culto O ataque dos tomates assassinos é pura coincidência
Já foi testado centenas ou milhares de vezes. Já investigaram centenas de alternativas. E continuamos a deitar água em cima do fogo há milénios.
Para os carros elétricos não convem deitar àgua…
Eu diria que em poucos incêndios convém deitar água… Quantas vezes nos edifícios os estragos causados pela água são bem maiores que os causados pelo fogo. Sim, é preciso apagar o incêndio mas às vezes parece que não queremos evoluir.
E os efeitos das ondas sonoras em causa na flora? Tipo, não morre da doença mas morre da cura?
Acho interessante, mas para apagar fogos de grandes dimensões nas florestas, pergunto-me sobre como conseguem colocar os aparelhos no terreno e os efeitos.
É mais como um extintor 2.0
Não gasta àgua mas gasta energia. Tem de ter bateria
Já estão a equipar canadairs com colunas da bose
Finalmente a Cristina Ferreira pode ser ]util /s
Pois claro que é de ser cético É muito melhor arrasar os andares inferiores de um edifício qualquer por se apagar um fogo num qualquer andar superior A evolução interessa é no armamento porque nunca se sabe quando é que vamos ser invadidos pelo vizinho do lado….
é começar a instalar um sistema de som nas florestas portuguesas e dar play
Frequências abaixo dos 20 hertz, imperceptíveis ao ouvido humano. Qalquer dia vamos descobrir que podemos extinguir incêncios com uma tertúlia de mudos junto ao fogo.
O título é “fake news”… pois é combate às chamas… em vez de incêndios.
A chama é um vetor de propagação, isso ajuda muito, contudo o que levou à chama pode reacender.
Com ondas sonoras de um lado e siresp do outro, não há incêndio que resista.
O ceticismo é uma mal que cada vez mais aflige o português, mas melhor é ler comentaríos dos especialistas.
Especialistas tem Portugal aos milhões, mas com especialidade de lana caprina e da mula Russa.