Portugal lança hoje seis satélites: Camões e Pessoa farão parte da constelação Lusíada
Esta segunda-feira, Portugal vai lançar seis novos satélites a partir da base de Vandenberg, na Califórnia, no âmbito da missão Transporter-16, operada pela SpaceX.
Os satélites portugueses seguirão a bordo do foguete Falcon 9 da SpaceX, que descolará às 11h20 (de Lisboa) da base de Vandenberg, na Califórnia, nos Estados Unidos.
De acordo com um comunicado, a operação Transporter-16 insere-se na Agenda New Space Portugal, liderada pela Geosat, e envolve três entidades portuguesas: a Força Aérea Portuguesa, o CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento, e a LusoSpace.
O lançamento dos seis satélites poderá ser acompanhado em direto no website da SpaceX ou através da rede social X:
Watch Falcon 9 launch 25 @Starlink satellites to orbit from California https://t.co/7BP0Fh8jP2
— SpaceX (@SpaceX) March 26, 2026
Espaço receberá seis satélites com ADN português
Com nomes bem conhecidos da cultura portuguesa, os satélites Camões, Agustina, Pessoa e Saramago farão parte da constelação de satélites Lusíada, da empresa LusoSpace, e servirão de base ao “Waze” dos oceanos, que ficará disponível para marinheiros de todo o mundo.
Estes dispositivos têm como principal objetivo reforçar as comunicações marítimas através do sistema VDES (VHF Data Exchange System), uma tecnologia voltada para a troca de dados em mar aberto e apoio à navegação.
A constelação vai providenciar comunicações marítimas a um custo acessível através dos nossos satélites. Isto vai permitir que os navios partilhem informações, como a possível existência de icebergues, contentores perdidos ou embarcações suspeitas, alertando de imediato as autoridades.
Explicou o diretor-executivo da LusoSpace, Ivo Vieira, em declarações à Euronews, em fevereiro, esclarecendo que o “Waze” dos oceanos “vai permitir que se crie uma comunidade que é do interesse de todos”.

O investimento para desenvolvimento e lançamento desta fase foi de 15 milhões de euros, com 10 milhões do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), 2,5 milhões avançados pela LusoSpace, e o resto de capital privado.
Dois outros satélites irão reforçar diretamente a Constelação do Atlântico:
- Um satélite de radar de abertura sintética (SAR) da Força Aérea Portuguesa, concebido para operar em qualquer condição meteorológica e durante a noite, reforçando a vigilância marítima e a proteção da Zona Económica Exclusiva.
- O satélite ótico VHRLight NexGen, desenvolvido pelo CEiiA em parceria com a N3O e parceiros internacionais, que será capaz de captar imagens com muito alta resolução de até 70 centímetros por pixel, recorrendo a tecnologia multiespectral.
Segundo um comunicado, “o satélite da Força Aérea Portuguesa dotará a Constelação do Atlântico, atualmente com três satélites já em órbita, com capacidade para observar a Terra em quaisquer condições meteorológicas, de dia e de noite, assegurando monitorização contínua e fiável”.
Esta capacidade reforça significativamente a vigilância persistente, a consciência situacional e a segurança nacional, permitindo uma resposta mais rápida a missões militares, desafios de segurança marítima e proteção da Zona Económica Exclusiva (ZEE) portuguesa.
Segundo o comunicado, citado pela Euronews, a constelação deverá evoluir para um sistema composto por 12 satélites, combinando as capacidades óticas e de radar, com aplicações que vão desde a resposta a catástrofes, passando pela monitorização ambiental, mapeamento de carbono e missões de vigilância e segurança marítima.



















