França votou a favor da morte medicamente assistida. Como está a situação em Portugal?
Depois de mais de três anos de debate, a Assembleia Nacional francesa aprovou de forma definitiva a morte medicamente assistida, a lei que permite a doentes com patologias incuráveis pedir e receber medicação letal para pôr fim à vida. A votação marca o fim de um processo longo e polémico, mas a lei ainda não entra em vigor de imediato.
Uma votação que fecha anos de discussão
O plenário da câmara baixa do parlamento francês validou o texto por 291 votos a favor e 241 contra, depois de o ter já aprovado em três leituras anteriores.
A proposta nasceu de um compromisso assumido pelo presidente Emmanuel Macron, em 2022, que esta quarta-feira assinalou o momento como o cumprimento de uma promessa feita "com seriedade, humildade e total respeito pela democracia".
O Senado, onde os conservadores têm maioria, tinha chumbado o diploma, mas o sistema legislativo francês dá a palavra final à Assembleia Nacional quando as duas câmaras não chegam a acordo.
O que prevê a nova lei?
Para poder recorrer a este processo, o doente tem de ter pelo menos 18 anos e ser cidadão francês ou residente legal em França.
É também necessário que um médico, depois de consultar uma equipa de profissionais de saúde, confirme que a pessoa sofre de uma doença grave e incurável, em fase avançada ou terminal, com dores que não podem ser aliviadas ou que são insuportáveis.
O sofrimento psicológico, por si só, não é suficiente para qualificar alguém para este processo, e pessoas com doenças psiquiátricas graves ou doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, ficam excluídas.
O pedido parte sempre do próprio doente. Depois de analisado pelos profissionais de saúde no prazo de 15 dias, tem de ser confirmado após um período de reflexão de, no mínimo, dois dias.
Se for aprovado, a pessoa escolhe a data e o local, podendo ser em casa ou numa unidade de saúde, e pode ter familiares presentes.
No dia marcado, um médico ou enfermeiro tem de confirmar que a vontade se mantém e ficar por perto caso surjam complicações. Todos os custos ficam a cargo do sistema público de saúde.
Na prática, a lei centra-se no suicídio medicamente assistido, em que é o próprio doente a administrar a medicação. Só quem estiver fisicamente incapaz de o fazer poderá receber ajuda direta de um médico ou enfermeiro.

Emmanuel Macron assinalou o momento como o cumprimento de uma promessa feita "com seriedade, humildade e total respeito pela democracia".
Morte assistida ainda não é lei, pois falta o crivo constitucional
Apesar da aprovação parlamentar, o diploma ainda não produz efeitos. O presidente do Senado, Gérard Larcher, e o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, anunciaram que vão remeter a lei para o Conselho Constitucional, que terá até um mês para decidir se o texto respeita a Constituição francesa. A lei só entra em vigor depois de concluída essa análise.
A presidente da Assembleia Nacional, Yael Braun-Pivet, classificou o processo como o debate mais longo desde a década de 1980, sublinhando que a instituição "esteve à altura" da discussão.
França junta-se a um debate europeu mais alargado
Esta decisão coloca França ao lado de outros países europeus que discutem atualmente legislação semelhante. No Reino Unido, a proposta de lei sobre morte assistida em Inglaterra e no País de Gales regressa ao parlamento a 11 de setembro. Já na Alemanha, o Bundestag chegou a rejeitar duas propostas nesta área em 2023.
Com uma população cada vez mais envelhecida e um número crescente de doentes crónicos, estima-se que cerca de 300 milhões de pessoas em todo o mundo já têm acesso a alguma forma de morte assistida ou eutanásia, com França a abrir, também, esta porta.
Como está a situação da morte assistida em Portugal?
Ao contrário de França, onde a lei acaba de ser aprovada e aguarda o crivo constitucional, em Portugal, o processo está bloqueado há mais tempo.
A Assembleia da República já aprovou a lei da morte medicamente assistida por cinco vezes, e o diploma, promulgado em maio de 2023 mas ainda sem entrar em vigor por falta de regulamentação, segue um modelo semelhante ao francês, distinguindo entre:
- Suicídio medicamente assistido, autoadministração pelo doente;
- Eutanásia, administração por um profissional de saúde e reservada aos casos em que o doente está fisicamente incapaz de o fazer sozinho.
Por cá, o problema é que, em abril de 2025, o Tribunal Constitucional voltou a declarar inconstitucionais várias normas do diploma, o que tem impedido a sua regulamentação.
Segundo notícias mais recentes, o Governo continua a considerar que não há segurança jurídica suficiente para avançar, pelo que a lei permanece por aplicar quase três anos depois de ter sido publicada.
Nesse impasse, tem crescido o número de portugueses que recorrem a associações como a Dignitas, na Suíça, para pôr fim à vida.






















Não tenho escolha em nascer, ao menos deixem-te ter escolha quanto à morte. Antes isto do que ficar um vegetal a babar-se.
E para aqueles que são contra: ninguém obriga ninguém.
+1
É isso mesmo, é como o aborto, vai continuar a nascer bebês, é opcional não é obrigatórios, neste caso é mais criminoso “obrigar” alguém a sobreviver a muito que deixou de viver.
Ninguém vais pedir eutanásia por uma unha encravada.
Aborto nao é obrigatório? mas perguntam ao ser humano que é morto a sua opinião?
Ainda nessa discussão? Um feto não é um ser humano e há regras para se fazer um aborto.
Ninguém obriga a ninguém? Não é bem assim. E se a pessoa que é contra é enfermeiro ou médico e lhe é pedido isso? Não pode recusar? Pode pois. Ou vai ser obrigado a matar alguém só porque existe e a vontade da pessoa é essa?
Os médicos quando é do agrado deles, o doente pode morrer na sala de espera enquanto esta a beber um cafezinho no bar, nestes casos o médico esta de consciência tranquila, para realmente aprestar a derradeira ajuda que o doente pede, não tem disponibilidade moral para ajudar.
Simplesmente recusa, chama-se objecção de consciência.
A minha vida pertence-me. Sou eu que decido sobre ela e mais ninguém. E ninguém obriga aquele médico ou enfermeiro a dar assistência ao ato. Há outros profissionais. Deixem-se de hipocrisias.
Obriga os médicos a matar. Alguém tem de ser o carrasco
Não, não obriga…
Eu como doente crónico pergunto, qual a justificação para recusar este pedido a um doente nestas circunstancias?
Não há nada que se possa fazer mais para ajudar estes doentes a não ser aliviar a dor, sofrimento deles e da família, não é mais condenável “obrigar” estas pessoas a sofrer por mais não sei quantos anos?
O pessoal so quer liberdade na economia, e ditadura nos costumes, ou seja lixar a vida do povo a dobrar
Sou a favor, se a pessoa tem uma doença crónica e grave deveria podes escolher como quer partir.
Fuzilamento ou injeção letal?
Qual quer uma desde que o resultado final seja o esperado, está tudo ok, por vezes um tiro deve doer menos que as dores que muitos doentes crônicos sofrem durante a vida toda.
o @Analista tomar o lugar da pessoa que está em sofrimento extremo
devia de haver participação do publico sobre este tema, ir a votações, tal como fizeram algures nos anos 2000 para o aborto.
afinal não é o povo quem mais ordena?
este tipo de questões (e outras) deveria ter participação ativa do povo…mas isto sou eu a falar…
Mas assim era só os doentes crónicos que podiam votar, certo?
No aborto compreendo, são necessários dois para dançar, neste caso é o doente que mais sofre, a decisão é dele e apenas dele.
Mas atenção, quem quiser continuar a sobreviver com dores e sem qualquer hipótese de recuperação, pode continuar como até aqui, isto é opcional, não é obrigatório.
Aborto só mulher manda!
Não, mas devia ter outro peso a decisão da mesma, para o homem “abortar” é fácil, vou ali comprar cigarros, para a mãe não é assim tão simples.
num lugar de um doente crónico, também poderei eu estar no futuro…não sabemos o dia de amanhã. Mas acho que eu na minha posição, gostaria de ter a opção de eutanásia se assim o entendesse que faria sentido…
Claro, ao ler comentários de certas pessoas por aqui, parece que quem entrar nas urgências hospitalares vai logo para “abate” quem quiser continuar a sofrer com dores vai poder continuar a sofrer, estamos é a dar oportunidade a quem já está cansado de sobreviver poder partir quando e onde quiser, um médico ao recusar um pedido destes, então é um mau médico, sabe que não há mais nada que possa fazer para ajudar a não ser ajudar a partir e mesmo assim recusar, então é um péssimo ser humano.
as liberdades individuais so dizem repeito ao individuo.
Ate todos os portugueses menos um podiam ser contra a eutanasia, a solucao é simples nao a pratiquem.
E já vem tarde…
Quem é contra, pode continuar a acreditar nas suas crenças. Não têm o direito de interferir nas “crenças” de outros.
Certo e se o Enfermeiro ou médico em questão for contra isso? E caso seja-lhe pedido que execute tal pedido, pode recusar-se? Como irias te sentir? Não pensas nisso, pois não? Para ti é um mero medicamento ou uma mera injeção para alguns profissionais, são possíveis “traumas”.
Respeitavas se o enfermeiro e/ou médico se recusasse a fazer tal?
Claro que pode recusar, mas isso não impede de existir outro enfermeiro e médico que o faz sem problemas, aliás muitos enfermeiros e médicos são a favor de acabar com o sofrimento das pessoas.
Se o teu patrão mandar fazer uma tarefa que não gostas…podes recusar, certo? agora isso pode ter consequências para ti como profissional, não para quem ordena a sua vontade…
Quantas vezes vais repetir a mesma mentira? Mas é lei obrugar a fazer isso? Não quer esse quer outro.
Não é preciso intervençao de médico nem enfermeiro. Já existe a cápsula da morte na Suiça, a pessoa entra e quando estiver preparada carrega no botão, é inundada com gás, perde a consciencia e morre sem qualquer dor, já passou aqui a noticia no pplware.
Atendendo que Portugal é um país que caga licenciaturas, pode inventar uma para carrascos. A morte é um direito inalienável, se existe direito à vida, automaticamente existe direito à morte. Perde-se muito tempo em redor do tema, quando é apenas uma escolha pessoal.
O problema é quando deixa de ser uma escolha pessoal, e com isto não quero dizer que sou contra.
Pessoas a babarem-se todas, acamados e comatosos sem recuperação devem ter via verde para seguirem. Estar neste mundo dessa forma não é qualidade de vida.
Claro que respeitava.
Até porque há outros que pensam diferente. Iria procurar outro(s) que me respeitassem a mim.
Não são crenças, são vidas. E é crime.
Quais vidas?
Passares 24 horas deitado numa cama, e esperares que alguém te limpe o rabo achas que isso é vida?
Estar vivo e viveres uma vinda em pleno é diferente de sobreviveres, tanto eu como o meu irmão mais velho temos doenças crónicas genéticas, e mesmo assim o meu irmão mais velho está muito pior que eu, está praticamente tetraplégico, já não consegue levar um copo com água à boca, não consegue ir ao WC sozinho, luta com todas as forças que ainda lhe restam e bem, mas já começa a falar nisto.
É um direito da pessoa poder morrer pacificamente quando e onde quiser, que raio de médico pode assistir a pacientes neste estado e ter a lata de dizer que não.
Crime é condenar alguém a viver sofrendo horrores. Deixem-se de hipocrisias e de iluminismo. A minha vida pertence-me, não é tua nem de ninguém.
Já alguma vez sentiste o cheiro da carne humana em putrefação estando esse humano “vivo”?!
Já alguma vez um progenitor teu te implorou que lhe acabasse com a vida, pois não aguentava as dores?! (Mesmo estando medicado)
Vive a vida real, não aquela que lês em livros ou te enfiam pela goela abaixo.
Eugenismo neo-liberal
A lei já foi aprovada em Portugal e é o Tribunal Constitucional que está a travar a sua implementação. Talvez devessemos ir para a Rua reclamar..
È a democracia a funcionar: separação de poderes
Sou a favor, há doenças e condições terríveis que ninguém merecia passar por elas.
Já o aborto sou a favor mas com muitas regras e condições. Abortar porque o vadio e a vadia não aprenderam o que são contraceptivos ou filhos de bebedeiras é criminoso.
Quero eu acreditar que ninguém faz um aborto só porque sim, mas sempre é melhor abortar que deixar os bebês nos caixotes do lixo.
A maioria dos abortos é porque sim.
Quantos casos conheces de recém nascidos que morreram nos caixotes do lixo?
Dá-te ao trabalho de leres as noticias e logo percebes
Já tu bastava saberes ler o título para ficar a saber que o assunto não é o aborto.
Qaanto ao aborto so me lembro da gaija do PP a quando do primeiro referendo dizer que ia passar a haver educação sexual nas escolas… balelas… olhem quem mais reclama da educação sexual.
O mesmo se passa com os cuidados paleativos
@Yuri bezmenov – primeira fase, bastava um caso para ser muito, mas infelizmente já são bastantes e amplamente anunciados nas Tvs, mas é como digo, quero acreditar que quem recorre ao aborto seja o último recurso, mas não sendo é igual é a opção de cada um, se não fizer legalmente vai fazer num vão de escada qualquer e lá se perde mais uma vida que tanto “queres” proteger.
PS, a expressão “queres” , não é dirigida a ti em concreto é uma forma de generalizar e fluir melhor de conversa.
Aborto vira desporto
Eutanásia vira cortesia
Estupidez vira comentário.
😀 😀 😀
Muito gostam algumas pessoas der mandar na vida dos outros. No aborto ou na eutanásia, o próprio é que tem de decidir, a escolha e a consequência é individual.
O aborto é mandar na vida de outro.
Um não assunto que é mantido na praça pública apenas porque existe gente com pouca empatia ou nenhuma, esses são contra a eutanásia mas por mim nem chegavam ao poder em lado nenhum, o sofrimento dos outros não lhes diz nada nem piscam os olhos.
Este assunto é muito mais do que o “eu quero, eu mando na minha vida”, recentemente vi um documentário na RTP 2 que analisava o lado do “contra”, consgui perceber algumas questões que se levantaram, Gostava também de ver o contraditório. https ://www.rtp.pt/programa/tv/p47545
Mas alguém chama “viver” ao estar numa fase terminal de uma doença ou ter uma doença incurável e acordar todos os dias a contar os segundos que faltam para morrer? Alguém chama “viver” a estar deitado numa cama de hospital com dores constantes, completamente dependente de terceiros e prolongar o seu sofrimento, dos familiares e dos amigos ao verem a pessoa naquela situação? Alguém chama “viver” ao ficar completamente dependente de medicação que já não faz efeito e não poder sair de uma cama ou de uma cadeira de rodas, enfim… Pelo menos deixem a pessoa poder escolher terminar o seu sofrimento e dos que os rodeiam e poder ter o merecido descanso e acabar com o sofrimento junto de quem os ama e fez tudo por eles e saber que foi em paz e que já não sofre mais…
Plenamente de acordo contigo.
Quem não vê isso é porque nunca vivenciou nada disso.
É por isso que existe o ditado “pimenta no c* dos outros, para mim é refresco”.
Podemos começar por alguns que estão na AR.