Espanha deteta 111 casos de cancro raro associado a implantes mamários
As autoridades de saúde espanholas confirmaram 111 casos de um tipo raro de cancro associado a implantes mamários.
A doença, embora pouco frequente, continua a ser alvo de vigilância apertada por parte dos reguladores europeus. Os casos foram identificados até ao final de 2025 e estão maioritariamente relacionados com implantes de superfície texturada.
Cancro: foram recebidas 146 notificações suspeitas
De acordo com a Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos de Saúde (AEMPS), foram registadas 146 notificações suspeitas desde 2012.
Após análise clínica e laboratorial, 111 desses casos foram confirmados como sendo linfoma anaplásico de grandes células associado a implantes mamários (BIA-ALCL, na sigla inglesa).
Madrid foi a região espanhola com mais notificações, seguida pela Andaluzia, Catalunha e Comunidade Valenciana.
O que é o BIA-ALCL?
Apesar de ser frequentemente referido como um “cancro associado a implantes mamários”, este não é um cancro da mama.
Trata-se de um tipo raro de linfoma não-Hodgkin que se desenvolve nas células do sistema imunitário presentes na cápsula fibrosa que se forma em torno do implante.
A Organização Mundial da Saúde reconheceu oficialmente esta doença em 2016, após vários estudos internacionais demonstrarem uma associação consistente entre o linfoma e determinados tipos de implantes mamários texturados.
Qual é o risco de desenvolver BIA-ALCL?
O BIA-ALCL é uma doença rara que apenas pode surgir em pessoas que têm ou tiveram implantes mamários.
Com base nos dados atualmente disponíveis, não é possível determinar com exatidão o risco de desenvolvimento desta doença. As estimativas dos especialistas apontam para um risco que varia entre 1 em 100.000 e 1 em 1.000 portadores de implantes mamários.
Cerca de 95% dos casos são diagnosticados entre 3 e 14 anos após a colocação do implante, sendo o tempo médio de aparecimento de aproximadamente 8 anos. Existem, no entanto, casos reportados desde 1 até 37 anos após a cirurgia.
Implantes texturados continuam sob maior escrutínio
Os dados recolhidos ao longo dos últimos anos apontam para uma ligação mais forte entre o BIA-ALCL e os implantes texturados.
Em 2019, alguns modelos de implantes texturados da fabricante Allergan foram retirados do mercado mundial após investigações conduzidas pelas autoridades norte-americanas e europeias.
Contudo, os especialistas sublinham que a origem da doença parece ser multifatorial.
Entre os fatores estudados estão:
- Tipo de superfície do implante
- Predisposição genética da paciente
- Processos inflamatórios crónicos
- Possível contaminação bacteriana associada ao implante
Até ao momento, não existe uma explicação definitiva para o mecanismo que desencadeia este tipo de linfoma.
Quais são os sintomas?
Os sintomas mais frequentemente associados ao BIA-ALCL incluem:
- Inchaço súbito da mama vários anos após a cirurgia
- Acumulação de líquido à volta do implante
- Dor persistente
- Endurecimento da cápsula que envolve o implante
- Presença de nódulos ou massas junto ao implante
Quando diagnosticado precocemente, o prognóstico tende a ser favorável, sendo frequentemente tratado através da remoção do implante e da cápsula envolvente.
Cancro: o risco continua a ser considerado baixo
Apesar dos 111 casos confirmados, a AEMPS destaca que o risco continua a ser reduzido quando comparado com o elevado número de mulheres que possuem implantes mamários em Espanha e no resto do mundo.
Ainda assim, as autoridades defendem a manutenção da vigilância e da deteção precoce para minimizar possíveis complicações.
As entidades reguladoras europeias continuam a acompanhar a evolução desta doença e a recolher informação clínica para compreender melhor a sua origem e incidência.




















