É oficial! SpaceX vai entrar na bolsa, e Musk pode tornar-se o primeiro trilionário do mundo
A SpaceX, empresa de foguetões e satélites de Elon Musk, apresentou oficialmente a documentação para entrar na bolsa de valores. Com uma avaliação-alvo de 1,7 biliões de dólares (em inglês, $1.7 trillion) e uma angariação prevista de 75 mil milhões de dólares, esta poderá ser a maior estreia da história.
Quando uma empresa privada decide abrir o seu capital ao público, realiza aquilo a que se chama uma Oferta Pública Inicial, ou Initial Public Offering (IPO).
Na prática, qualquer pessoa passa a poder comprar ações dessa empresa na bolsa de valores.
A SpaceX deu este passo esta semana, submetendo oficialmente o seu prospeto junto da Comissão de Valores Mobiliários (em inglês, SEC), a entidade reguladora dos mercados norte-americanos, e anunciando que pretende listar-se na Nasdaq sob o ticker SPCX.
O que torna este caso diferente e ainda mais relevante é a escala. Vários meios de comunicação norte-americanos já avançaram que a SpaceX pretende angariar 75 mil milhões de dólares, o que tornaria esta na maior IPO de sempre, conforme já informámos, superando casos históricos como o da Saudi Aramco ou o do Alibaba.
A estreia em bolsa deverá acontecer em junho de 2026, com o road show para investidores a poder arrancar no dia 4 desse mês.

Os números da SpaceX
O prospeto descortinou, pela primeira vez, os detalhes financeiros da empresa.
Em 2025, a SpaceX gerou 18,7 mil milhões de dólares em receitas. No entanto, registou um prejuízo operacional de 2,6 mil milhões e um prejuízo líquido de 4,9 mil milhões, reflexo dos investimentos pesados em Inteligência Artificial e no desenvolvimento de foguetões de nova geração.
O verdadeiro motor financeiro da empresa é a constelação Starlink, o serviço de Internet por satélite, que sozinho gerou mais de 11,4 mil milhões de dólares em receitas no ano passado, um crescimento de quase 50% face a 2024.
Já as plataformas X e xAI, adquiridas pela SpaceX em fevereiro deste ano, apresentaram receitas de 3,2 mil milhões, mas prejuízos operacionais de 6,4 mil milhões, um peso considerável nas contas globais.

Estrutura garante que Musk acumula controlo absoluto
Um dos pontos mais polémicos desta entrada em bolsa é a estrutura de gestão da empresa. Após a abertura do capital, Elon Musk acumulará os cargos de diretor-executivo, diretor de Tecnologia e presidente do Conselho de Administração.
Além disso, controlará cerca de 85% do poder de voto, mesmo detendo apenas cerca de 42% do capital.
Na prática, isto significa que Musk não poderá ser destituído por outros acionistas, uma situação bem diferente da Tesla, onde ao longo dos anos tem enfrentado resistência por parte de investidores.
O próprio prospeto reconhece o risco, alertando que o fundador “terá o poder de controlar o resultado de matérias que requerem aprovação dos acionistas, incluindo a eleição de todos os administradores”.
Se a SpaceX atingir a avaliação-alvo de 1,7 biliões de dólares (em inglês, $1.7 trillion), o impacto no património de Musk será histórico: o fundador tornar-se-ia no primeiro “trilionário” do mundo, ultrapassando a barreira dos 13 algarismos no valor líquido pessoal.



















