Duas empresas uniram esforços para criar um “camião de lixo espacial”
Uma empresa dos Estados Unidos e outra da Austrália criaram a combinação perfeita para combater o lixo espacial. Se atualmente a ideia parece ficção científica, em breves anos será um grande negócio, muito rentável. Conheça o projeto que vai lançar para o espaço um camião de lixo espacial!
Duas empresas unem-se para colocar em órbita o seu camião do lixo espacial
À medida que a corrida espacial avança, também aumenta a geração de detritos, entre os quais se incluem fragmentos de peças, fases descartadas de foguetões ou até naves completas que perderam a sua órbita. Este lixo espacial acumula-se, gerando cada vez mais riscos. É claro que é necessário geri-lo de alguma forma, mas todas as hipóteses levantadas até agora acabaram por ficar no ar.
Agora, em contrapartida, duas empresas privadas propuseram o desenvolvimento de uma espécie de camião do lixo espacial, capaz de transformar este processo em algo operacional e repetível.
Tal como o camião do lixo que passa todas as madrugadas debaixo da sua janela, também estas empresas esperam alcançar periodicidade e eficiência com o seu serviço de remoção de detritos.
Uma parceria entre os EUA e a Austrália
As duas empresas que propuseram este serviço são a norte-americana Portal Space Systems e a australiana Paladin Space. A primeira desenvolveu a Starbust, uma nave manobrável e reabastecível que funciona como o camião do lixo. O “operário” ou “lixeiro” seria a contribuição da Paladin, através de uma carga útil chamada Triton.
Esta encarrega-se tanto de obter imagens do lixo espacial como de classificar e recolher os detritos. Enquanto as propostas experimentais apresentadas até agora recolheriam apenas um ou poucos objetos, esta combinação permitiria remover muito mais resíduos numa única missão.
Ambas as empresas garantem que os trabalhos decorrem a bom ritmo, pelo que esperam realizar um primeiro lançamento no final de 2026. Se tudo correr bem, as missões regulares deverão arrancar em 2027. O objetivo passa por criar um serviço repetível e bem organizado, capaz de manter sob controlo os detritos espaciais que, inevitavelmente, continuarão a ser gerados.
Mais de 130 milhões de fragmentos em órbita
Atualmente, estima-se que existam mais de 130 milhões de fragmentos de lixo espacial em órbita terrestre baixa. Trata-se de um número que poderá aumentar devido ao chamado síndrome de Kessler.
O termo refere-se a um efeito dominó no qual, se um fragmento de lixo espacial colidir com um satélite, por exemplo, serão gerados ainda mais detritos, que continuarão a colidir entre si, aumentando o número de fragmentos de forma cada vez mais rápida.
O lixo espacial é perigoso por vários motivos, maioritariamente relacionados com impactos. Para começar, pode afetar objetos artificiais que também se encontram em órbita, como satélites. Além disso, se o impacto ocorrer em instalações tripuladas, como a Estação Espacial Internacional, ou em naves espaciais, a vida dos astronautas poderá ficar em risco.
Também não se pode ignorar o perigo associado ao lixo espacial quando este perde altitude e regressa à Terra.
O mais comum é que a maioria dos fragmentos se desintegre ao atravessar a atmosfera, sem sequer chegar à superfície terrestre. Ainda assim, podem sobreviver restos capazes de causar danos materiais ou pessoais.
Aliás, em 2022 foi publicado um estudo que indicava que, nos dez anos seguintes, existiria uma probabilidade de 10% de um fragmento de lixo espacial atingir um ser humano.
Vale a pena lançar para o espaço o maior número possível destes “camiões do lixo cósmicos”. Se funcionarem como esperado, poderão evitar muitos problemas no futuro.




















