Defesa planetária: sonda japonesa completa voo rasante a apenas 1 km ao asteroide Torifune
A sonda japonesa Hayabusa2 concluiu com sucesso uma das manobras mais desafiantes da sua missão, passando a apenas cerca de 1 quilómetro do asteroide Torifune.
A aproximação, realizada a uma velocidade de aproximadamente 5,25 km/s (quase 19 mil km/h), serviu para testar tecnologias essenciais para futuras missões de defesa planetária e recolher dados científicos sobre um asteroide pouco conhecido.
A operação decorreu conforme planeado pela JAXA (Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial), tornando-se um dos voos rasantes mais próximos alguma vez realizados por uma sonda concebida originalmente para entrar em órbita de asteroides e não para efetuar passagens a alta velocidade.

O 98943 Torifune (designação provisória 2001 CC21) é um asteróide de tipo Apollo próximo da Terra, com um diâmetro de cerca de 450 metros. Foi descoberto pelo programa de observação Lincoln Near-Earth Asteroid Research (LINEAR) em Socorro, Novo México, Estados Unidos, a 3 de fevereiro de 2001.
Uma manobra extremamente exigente
Durante a aproximação, a Hayabusa2 teve apenas alguns minutos para observar o asteroide e captar imagens da sua superfície. Ao contrário de uma missão de encontro orbital, em que a nave acompanha o objeto durante dias ou semanas, neste caso a janela de observação foi extremamente curta.
O desafio foi ainda maior porque o Torifune é um pequeno asteroide com cerca de 450 metros de diâmetro e a sua forma exata continua por determinar. Os engenheiros da JAXA tiveram de calcular a trajetória com enorme precisão para evitar qualquer risco de colisão, mantendo simultaneamente a menor distância possível para maximizar a qualidade das observações.
Um ensaio para proteger a Terra
Mais do que uma missão científica, este sobrevoo teve um forte objetivo tecnológico. A aproximação permitiu testar sistemas de navegação ótica e de orientação extremamente precisos, capacidades consideradas fundamentais caso seja necessário enviar, no futuro, uma missão para desviar um asteroide em rota de colisão com a Terra.
Segundo a JAXA, as técnicas utilizadas pela Hayabusa2 são semelhantes às que seriam necessárias numa missão de impacto cinético, como a missão DART da NASA, que em 2022 conseguiu alterar a órbita do pequeno asteroide Dimorphos.

A Hayabusa2 é uma sonda da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA) concebida para estudar asteroides e recolher amostras da sua superfície. É considerada uma das missões de exploração de pequenos corpos mais bem-sucedidas da história e sucedeu à primeira missão Hayabusa, que em 2010 trouxe para a Terra as primeiras amostras de um asteroide.
O que os cientistas esperam descobrir
O Torifune é um asteroide do tipo S, rico em silicatos, cuja composição lembra a do asteroide Itokawa, visitado pela primeira Hayabusa.
Os investigadores pretendem agora analisar as imagens obtidas para determinar com maior rigor:
- A forma real do asteroide;
- A sua composição superficial;
- A existência de grandes blocos rochosos ou crateras;
- Se poderá tratar-se de um “binário de contacto”, formado por dois corpos unidos entre si.
Os primeiros dados deverão ser divulgados pela JAXA nas próximas horas ou dias, à medida que forem sendo transmitidos pela sonda e analisados pelas equipas científicas.
A missão da Hayabusa2 está longe de terminar
A Hayabusa2 já entrou para a história ao recolher amostras do asteroide Ryugu e entregá-las na Terra em 2020. Como a nave ainda dispõe de combustível suficiente, a JAXA prolongou a missão.
Após esta passagem por Torifune, a sonda continuará a sua viagem pelo Sistema Solar, realizando duas assistências gravitacionais junto da Terra antes de seguir para o seu próximo destino: o pequeno asteroide 1998 KY26, onde deverá chegar em 2031.
Com apenas cerca de 30 metros de diâmetro, será o menor asteroide alguma vez explorado por uma missão espacial, permitindo aprofundar o conhecimento sobre pequenos corpos potencialmente perigosos para a Terra.
Nota: Até ao momento da publicação deste artigo, a JAXA confirmou a realização da passagem pelo asteroide, mas ainda não divulgou as primeiras imagens nem os resultados científicos detalhados da aproximação. Estes dados deverão ser publicados assim que forem recebidos e processados.




















1km é rasante??
Pois, o problema dos terráqueos é que continuam a pensar como terráqueos e não como galácticos. Num espaço tempo ou num tempo espaço em que se utiliza o ano-luz como medida, é claro que mil metros poderão serem considerados uns meros milímetros…