Marte continua a surpreender, mesmo depois de 14 anos de exploração pelo Curiosity. O rover fotografou pequenas cavidades que fazem lembrar pegadas e que chamaram a atenção dos cientistas. A explicação passa pela geologia, mas há pormenores que tornam estas marcas diferentes das já observadas.

O que são estas “pegadas” em Marte?
As formações foram identificadas nas rochas do monte Sharp. São depressões largas e pouco profundas, cuja aparência levou à comparação com pegadas. Contudo, não há indicação de que tenham sido deixadas por seres vivos.
Uma das imagens foi obtida a 19 de agosto de 2026 pelo Mars Hand Lens Imager (MAHLI), uma câmara instalada na extremidade do braço robótico do Curiosity. Segundo a NASA, a cavidade apresentada tem cerca de um centímetro de diâmetro.
A dimensão é um detalhe importante: numa fotografia aproximada, uma pequena irregularidade pode parecer uma marca muito maior.
Michelle Minitti, investigadora principal adjunta do MAHLI, explica que estas cavidades podem surgir quando a erosão liberta nódulos ou pequenos seixos da rocha que os envolve. O espaço anteriormente ocupado por esses materiais fica vazio.

Porque chamaram a atenção dos investigadores?
O que despertou a curiosidade da equipa foi a combinação entre a largura das cavidades, a sua pouca profundidade e a ausência de materiais que ajudassem a explicar a sua formação.
As cavidades desta semana eram muito mais largas e menos profundas do que as observadas anteriormente e não estavam acompanhadas de objetos evidentes que as tivessem ocupado.
Explicou Michelle Minitti.
Ou seja, o Curiosity já tinha encontrado depressões nas rochas, mas estas apresentavam características diferentes. A equipa passou, por isso, a encará-las como mais uma oportunidade para compreender os processos que transformaram esta região marciana.
A origem concreta destas formações continua por esclarecer. A semelhança com pegadas é uma descrição visual, não uma conclusão científica.

Imagens vão ajudar a reconstruir o relevo das cavidades
Para estudar as marcas com maior detalhe, os investigadores recorreram ao MAHLI e à Mastcam, o sistema de câmaras instalado no mastro do rover.
Os instrumentos recolheram mosaicos estereoscópicos e conjuntos de imagens com uma forte sobreposição. Estas fotografias podem ser convertidas num modelo digital de elevação, permitindo analisar a forma e a profundidade das cavidades.
O interesse científico vai além da sua aparência invulgar. Compreender como surgiram poderá ajudar a explicar as alterações sofridas pelas rochas nesta zona do monte Sharp, como refere a equipa no diário da missão.

Marte também tem rochas que parecem “escamas de dragão”
As “pegadas” juntam-se a outras formações que evocam objetos familiares. O Curiosity já fotografou rochas semelhantes a corais e terrenos com padrões que fazem lembrar escamas de dragão.
No caso destas últimas, a NASA descreve polígonos semelhantes a favos de mel, repetidos na superfície das rochas. A equipa observou uma abundância invulgar destes padrões durante a aproximação à cratera Antofagasta, com cerca de 10 metros de diâmetro.
Segundo o relato da NASA sobre essa etapa da exploração, as texturas estendiam-se ao longo de vários metros. Os investigadores recolheram imagens e dados químicos para distinguir entre diferentes hipóteses para a sua formação.
As fotografias podem sugerir pegadas, corais ou escamas. Para os cientistas, o desafio está em descobrir que processos conseguem esculpir formas tão familiares num planeta tão diferente do nosso.


















