No dia 13 de abril de 2029, o céu poderá oferecer um espetáculo que nenhuma geração alguma vez viveu. Pela primeira e única vez, a humanidade poderá observar o asteroide Apophis a olho nu durante a sua passagem junto da Terra.
O asteroide Apophis, com cerca de 340 metros de diâmetro, vai passar tão perto da Terra que será visível a olho nu para milhares de milhões de pessoas, sem necessidade de telescópios ou binóculos.
Trata-se de um acontecimento raríssimo na história da humanidade. Pela primeira vez, um asteroide desta dimensão foi identificado muitos anos antes de uma aproximação tão próxima, permitindo que cientistas e o público preparem a sua observação.

Um gigante de pedra passará mais perto do que muitos satélites
O asteroide 99942 Apophis mede aproximadamente 340 metros, tornando-o ligeiramente maior do que a altura da Torre Eiffel, em Paris.
Na aproximação máxima, prevista para as 21h46 UTC de 13 de abril de 2029, Apophis passará a cerca de 31.600 quilómetros da superfície terrestre. Para se perceber a dimensão deste feito, muitos satélites geoestacionários orbitam a Terra a cerca de 35.786 quilómetros de altitude.
Ou seja, o asteroide irá passar mais perto da Terra do que muitos dos satélites utilizados para televisão, comunicações e meteorologia.

Será visível durante horas
Ao contrário do que acontece com muitos meteoros ou pequenos asteroides, Apophis não atravessará o céu em apenas alguns segundos. Dependendo da localização do observador, poderá ser acompanhado durante várias horas, surgindo como um ponto extremamente brilhante que se desloca lentamente entre as estrelas.
Para muitas pessoas, será semelhante a observar uma estrela muito luminosa que muda constantemente de posição ao longo da noite.
Os especialistas estimam que grande parte da população mundial poderá observar este fenómeno, desde que o céu esteja limpo e a passagem ocorra durante a noite na respetiva região.
De ameaça global a oportunidade científica
Quando foi descoberto, em 2004, Apophis gerou enorme preocupação entre os astrónomos. As primeiras estimativas apontavam para uma probabilidade invulgarmente elevada de colisão com a Terra em 2029, algo nunca antes observado para um objeto deste tamanho.
Contudo, anos de observações realizadas por telescópios e por radar permitiram calcular a sua órbita com enorme precisão. Hoje sabe-se que não existe qualquer risco de impacto em 2029, nem nas décadas seguintes.
Em vez de representar uma ameaça, a passagem tornou-se uma oportunidade científica única.
Agências espaciais de todo o mundo, incluindo a NASA e a Agência Espacial Europeia, estão a preparar campanhas de observação para estudar em detalhe a composição, a rotação e a estrutura do asteroide durante a aproximação.
A gravidade da Terra vai alterar o próprio asteroide
Um dos aspetos mais fascinantes deste encontro é que a Terra também irá influenciar Apophis. A passagem será suficientemente próxima para que a gravidade terrestre provoque pequenas alterações na rotação do asteroide e, possivelmente, desencadeie deslizamentos de material à sua superfície.
Será uma oportunidade inédita para observar, praticamente em tempo real, como um corpo rochoso responde às forças gravitacionais de um planeta.
Um acontecimento que acontece uma vez em muitas gerações
A aproximação de Apophis será um dos eventos astronómicos mais marcantes do século XXI. Nunca antes a humanidade conseguiu prever com tanta antecedência a passagem de um asteroide tão grande e tão próximo da Terra, sabendo simultaneamente que não representa perigo.
No dia 13 de abril de 2029, milhões de pessoas poderão simplesmente olhar para o céu e assistir à passagem de um visitante cósmico que, apesar de viajar a dezenas de milhares de quilómetros de distância, parecerá uma estrela em movimento.
É muito provável que essa noite fique para sempre na memória de quem a testemunhar, tornando-se um dos maiores espetáculos naturais alguma vez observados pela humanidade.




















