Há um dispositivo tecnológico que está a transformar a cirurgia às cataratas
Apple Vision Pro está a afirmar-se num terreno inesperado: o bloco operatório. Nos Estados Unidos, o dispositivo já foi utilizado em centenas de cirurgias às cataratas ao longo do último ano, demonstrando que o seu potencial vai muito além do entretenimento ou produtividade. Com as novas versões, a tecnologia poderá chegar a qualquer centro hospitalar como uma ferramenta de auxílio nas cirurgias e não só!

Da inovação ao bloco operatório
A primeira cirurgia deste tipo ocorreu em outubro de 2025, pela mão do oftalmologista Eric Rosenberg, da SightMD. Foi um marco. Pela primeira vez, um procedimento cirúrgico desta natureza recorreu a um headset de computação espacial.

O médico destacou sobretudo dois fatores decisivos: a elevada resolução das imagens e a ergonomia do equipamento.
Em cirurgias de elevada precisão, como as cataratas, a qualidade visual e o conforto são determinantes para reduzir erros e fadiga.
ScopeXR: o cérebro por trás da experiência
O avanço não se deve apenas ao hardware. A plataforma ScopeXR, co-desenvolvida por Rosenberg, é o elemento que transforma o Vision Pro numa ferramenta cirúrgica.
Este software permite:
- Visualizar em tempo real imagens estereoscópicas vindas de microscópios cirúrgicos
- Integrar dados clínicos diretamente no campo de visão
- Ligar especialistas remotamente, com áudio bidirecional
Na prática, um cirurgião pode operar enquanto partilha exatamente o que vê com colegas em qualquer parte do mundo. Isso abre portas à colaboração instantânea, formação remota e apoio em casos complexos.
Rosenberg descreve o sistema como uma forma de tornar os cirurgiões “mais seguros, mais inteligentes e mais conectados”, acrescentando que esta tecnologia redefine o conceito de sala de operações moderna.

Um novo paradigma para a medicina
O impacto vai além das cataratas. O Apple Vision Pro já foi utilizado noutros procedimentos, como colonoscopias, artroscopias do ombro e até cirurgias de fusão da coluna no Reino Unido.
Além disso, há aplicações emergentes fora do bloco operatório:
- Apoio à comunicação em doentes com lesões na medula espinhal ou Esclerose Lateral Amiotrófica
- Visualização de cirurgias para melhorar a compreensão dos pacientes
- Investigação em interfaces baseadas em sinais cerebrais

O futuro passa por aqui
Apesar do preço elevado, cerca de 3500 dólares (cerca de 3200 euros), o Vision Pro está a encontrar um nicho claro na área da saúde. A próxima evolução deverá chegar com atualizações do visionOS, esperadas na WWDC 2026, marcada para junho.
Se a tendência se mantiver, a sala de operações do futuro poderá ser um espaço híbrido, onde o físico e o digital se fundem em tempo real, com especialistas ligados globalmente e decisões suportadas por dados visuais avançados.


















Não é tempo real, tem lag. É um capacete VR. Que capta a imagem com cameras.
Hmmmm de facto, até o nosso olho tem latência. Por exemplo, o processamento visual consciente (olho → cérebro) leva cerca de 70 a 100 milissegundos até percebermos uma imagem de forma consciente. No que toca a reflexos visuais rápidos (ditos sem processamento consciente completo), estamos a falar entre 20 e 40 milissegundos, por exemplo em respostas automáticas a movimento. Segundo dados concretos e estudados, o tempo de reação visual (ver + decidir + agir) é tipicamente 200 a 250 milissegundos.
No caso dos Vision Pro, a latência “photon-to-photon” (ver o mundo real através do headset) leva cerca de 11–12 milissegundos. Portanto, há aqui alguns números a considerar.
esse lag de 200 a 250 milisegundos e’ para uma nova imagem ou algo inesperado nao e’ para uma tarefa que esta a fazer rotineira. os 20 a 40 milisegundos e’ sinal inicial para chegar do olho ao cerebro. o que interessa neste caso especifico e’ o feedback visual contínuo. que referes 0 na tua analise.
Imagem nova + decisão consciente200 – 250 msIdentificação + Decisão + AçãoTarefa muito treinada e automática (catarata)80 – 150 msFeedback visual contínuo + correçõesLimite mínimo neural (quase reflexo)~50 – 80 msProcessamento muito básico.
a estes valores e’ somar os 11-12 milisegundos do capacete, que um medico experiente repara no lag mas com treino faz antecipacao dele.
Calma calma… que confusão. O comentário mistura tempos diferentes. Os 20–40 ms são só a entrada do sinal, não a perceção útil. Mesmo em tarefas contínuas, o ciclo visual com correção anda nos 80–150 ms, não é zero. E outra coisa, antecipação existe, mas não elimina atraso, apenas o mascara.
Quanto aos 11–12 ms do Vision Pro são muito bons, mas continuam a somar ao sistema e, em tarefas de precisão, podem ser notados, mesmo por utilizadores experientes.
Fica um apontamento de cultura geral, que o cérebro consegue identificar uma imagem simples em apenas 13 ms (quanto tempo uma imagem precisa estar visível)
O cérebro consegue fazer processamento feedforward (processamento em sentido único, sem precisar de voltar atrás) extremamente rápido.
Em apenas 13 ms de exposição à imagem, o sistema visual já consegue extrair informação suficiente para categorizar a cena (é um animal? uma paisagem? uma pessoa?).
Nao confundir tempo de exposicao com processamento da imagem.
20–40 ms → tempo para o sinal chegar do olho ao cérebro (latência de transmissão).
13 ms → tempo mínimo de exposição da imagem necessário para o cérebro começar a entender o que está a ver.
O meu cérebro deve ser especial porque até consigo ver coisas onde não existem…
Já fui operado às cataratas e realmente existe um antes e um depois.
Basicamente uma catarata é um obstáculo à entrada de luz na retina.
Removendo essa parede a luz entra normalmente e a visão melhora muito.