AirTag escondido no carro: mulher diz que o iPhone não a avisou e processa a Apple
Uma mulher norte-americana acusa a Apple de não a ter alertado para um AirTag que estaria a ser usado pelo ex-companheiro para seguir os seus movimentos. Apesar de utilizar um iPhone, afirma nunca ter recebido qualquer aviso. O caso volta a colocar em discussão a eficácia das proteções contra o seguimento indesejado.

Um AirTag debaixo do carro e nenhum aviso no iPhone
Segundo a estação norte-americana KOIN, a mulher apresentou uma ação num tribunal federal em Medford, no estado do Oregon. Surge identificada como Jane Doe, um nome utilizado para preservar o anonimato.
De acordo com o relato, o ex-companheiro terá colocado um AirTag debaixo do seu veículo para acompanhar as deslocações. A mulher alega que o iPhone nunca a notificou da presença do localizador e acusa a Apple de negligência, reclamando 75 mil dólares.
A alegada ausência de notificações é o ponto central da ação: a utilizadora sustenta que as medidas de segurança não a protegeram. Trata-se, contudo, de uma acusação apresentada em tribunal, e não de uma falha técnica já demonstrada por uma decisão judicial.




Como deveriam funcionar os alertas dos AirTags?
A Apple explica que o sistema foi concebido para avisar o utilizador quando deteta um AirTag separado do proprietário a deslocar-se consigo ao longo do tempo. O próprio localizador também pode emitir um som quando é movimentado depois de estar algum tempo afastado do dono.
Estes mecanismos dependem de determinadas condições. Na sua documentação de suporte, a empresa indica que o Bluetooth, os Serviços de localização e as notificações de seguimento devem estar ativos. O modo de voo deve estar desligado.
A existência destes requisitos, por si só, não permite explicar o que aconteceu neste caso nem concluir que a mulher tinha alguma opção desativada.
Apple e Google já alargaram esta proteção
Em maio de 2024, a Apple e a Google anunciaram uma proteção conjunta para detetar localizadores Bluetooth desconhecidos. A funcionalidade chegou ao iOS 17.5 e a dispositivos com Android 6.0 ou posterior, permitindo emitir avisos sobre equipamentos compatíveis, independentemente da plataforma à qual estão associados.
O objetivo é reduzir a utilização abusiva destes acessórios. Quando recebe um alerta, o utilizador pode consultar informações sobre o localizador, fazê-lo emitir um som e aceder a instruções para o desativar, conforme explica o comunicado da Apple.

Desligar o Bluetooth não impede a localização
Há um pormenor relevante para quem encontra um AirTag desconhecido: desligar o Bluetooth ou os Serviços de localização do próprio iPhone não impede que o proprietário continue a receber a localização do acessório.
Segundo a Apple, é necessário desativar o próprio localizador seguindo as instruções apresentadas. A empresa recomenda ainda contactar as autoridades se a pessoa considerar que a sua segurança está em risco.
Este processo coloca uma questão concreta: até que ponto os mecanismos de deteção conseguem avisar uma pessoa a tempo de a proteger de uma utilização abusiva destes dispositivos?


















